Papa discute formação dos padres com chefes de dicastério da Cúria

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15 Novembro 2017

Formação “humana integral” e atenção ao discernimento. Falou-se de vocações, formação nos seminários e permanente do clero na manhã dessa segunda-feira, 13, na Sala Bologna do Palácio Apostólico, onde o Papa Francisco presidiu uma reunião dos chefes de dicastério da Cúria Romana. É a chamada “interdicasterial”, que ocorre pelo menos duas vezes por ano, com os cardeais, bispos e prelados à frente de Congregações e Pontifícios Conselhos.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 13-11-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O tema na pauta do dia foi a formação dos novos padres a partir da Ratio fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, o documento-guia publicado pela Congregação para o Clero em dezembro de 2016. Um texto que leva em consideração o magistério do pontífice e insiste na importância da formação humana integral, e não apenas na acadêmica.

Nas três fases da pastoral vocacional, da formação dos seminaristas e da formação permanente dirigida a quem já é sacerdote, é importante “ser discípulos missionários e pastores”. O discipulado e a missão dizem respeito a todos os batizados, enquanto o ser pastor é específico do sacerdócio. É importante, reiterou-se, a formação humana integral e, portanto, também a formação afetiva, de modo a formar pastores capazes de viver no meio das pessoas e de compartilhar as suas expectativas, alegrias e feridas.

O documento, no rastro do magistério de Francisco – e, em particular, da grande responsabilidade que a exortação Amoris laetitia coloca sobre os ombros dos sacerdotes, especialmente no acompanhamento das cada vez mais frequentes situações matrimoniais difíceis – insiste na importância do discernimento e da formação ao discernimento.

De fato, falta uma preparação adequada para esse acompanhamento às pessoas casadas, e os formandos dos futuros sacerdotes devem verificar se os seminaristas são capazes de assumir essas responsabilidades, que nunca preveem o fácil recurso a um manual de instruções, mas exigem empenho, compartilhamento, capacidade de se identificar com as situações sempre diferentes umas das outras.

Afirma-se no parágrafo 120 do documento discutido pelo papa com os seus colaboradores: “O chamado a serem Pastores do Povo de Deus exige uma formação que faça dos futuros sacerdotes peritos na arte do discernimento pastoral, isto é, capazes de um entendimento profundo das situações reais do cotidiano e de realizar um bom juízo em suas escolhas e decisões. Para realizar o discernimento pastoral, deve colocar-se no centro o estilo evangélico da escuta, que liberta o Pastor das tentações da abstração, do protagonismo, da excessiva segurança de si e daquela frieza que o tornaria ‘um contabilista do espírito’, ao invés de ‘um bom samaritano’”.