Monges do Monte Athos prometem continuar proibindo a visita de mulheres apesar de nova lei da igualdade

Monte Athos: local abriga 20 mosteiros e cerca de 1500 monges | Foto: Witold Rawicz - CC

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19 Outubro 2017

“É outra violação da lei de Deus, assim como a legislação existente que permite acordos de coabitação entre casais do mesmo sexo.”

A reportagem é de Jonathan Luxmoore, publicada por The Tablet, 16-10-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os monges ortodoxos do Monte Athos, na Grécia, fizeram votos de defender a sua secular proibição a todas as visitantes femininas, depois que uma nova lei da igualdade promovida pelo governo permitiu que os cidadãos mudem de gênero à sua vontade.

“À luz dessa legislação, perguntamo-nos que futuro nos resta”, escreveram os 20 mosteiros da península em uma carta ao governo grego. “É outra violação da lei de Deus, assim como a legislação existente, que permite acordos de coabitação entre casais do mesmo sexo e governa a educação religiosa em nossas escolas.”

Os monges reagiram à lei promulgada com uma maioria esmagadora no dia 10 de outubro, que permite que os gregos de mais de 15 anos possam redefinir o seu gênero, independentemente de como ele foi registrado no nascimento.

Enquanto isso, a medida também foi condenada pelo Santo Sínodo que governa a Igreja Ortodoxa Grega, que afirmou que ela “afronta a sociedade, ataca a santidade da família, mina os valores cristãos e o senso comum e, acima de tudo, destrói os seres humanos”.

O Monte Athos, ou Agion Oros, um centro monástico desde o século IV, é constitucionalmente reconhecido como uma parte autônoma do norte da Grécia, com uma população de cerca de 2.260 monges de várias nacionalidades, sob a jurisdição do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.

O jornal grego Kathimerini disse que a separação entre gênero e “condições fisiológicas”, promovida pela lei, tornaria mais difícil aplicar a proibição às mulheres – medida que data de uma aparição da Virgem Maria na Idade Média –, pois dá às mulheres o direito de se declararem homens ao visitarem a península.

O jornal afirmou que os ministros da Justiça e da Educação da Grécia, Stavros Kontonis e Kostas Gavroglou, visitaram o líder da Igreja, o arcebispo Jerônimo, de Atenas, nesta semana, em um esforço para “apaziguar as reações da Igreja”, mas disse que a lei foi apoiada em um “discurso acalorado” pelo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, que insistiu ao parlamento que “nenhuma tradição, nenhuma ideia de família exige que as pessoas sejam jogadas de lado em um abismo social e institucional”.

Entre outras reações ortodoxas, o metropolita Kosmas, de Etólia, disse aos deputados em uma carta que a “lei inatural” promoveria a “depravação”, enquanto o metropolita Nikolaos, de Ftiótida, rotulou-a como uma “ação satânica”, que “infligiria a blasfêmia sobre o corpo humano”, acrescentando que os apoiadores estão tentando transformar a Grécia em “um Estado de pecado”.

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