Nível de gelo no Ártico em 2017 é a oitavo menor da história; Há 16 anos a região não atinge nível acima da média

Foto: Juan Vidal Díaz | Flickr

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

22 Setembro 2017

O mês de setembro é a época em que o Ártico atinge sua extensão mínima anual de gelo. Os resultados de 2017, que acabam de ser divulgados e estão bem abaixo da média histórica, são uma oportuna lembrança de que devemos trabalhar com ainda mais empenho para alcançar o objetivo de 1,5º C estabelecido por quase 200 países no Acordo de Paris. Os números do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA (NSIDC) mostram que o gelo marinho atingiu um mínimo de 4,64 milhões de quilômetros quadrados em 13 de setembro, 1,58 milhões de km2 abaixo da média. Há 16 anos, o Ártico não registra uma extensão de gelo acima da média de setembro. A marca é a oitava menor da história.

A reportagem foi publicada por WWF Brasil, 20-09-2017. 

Em nenhum lugar, os efeitos de um clima de aquecimento vêm sendo sentidos de forma mais rápida e mais profunda do que no Ártico. Mesmo que o mundo atenda aos termos do Acordo de Paris, o Ártico ainda deverá aquecer 3° a 5°C a mais, afetando a rica biodiversidade da região e a vida daqueles que dependem disso.

O aquecimento adicional é em grande parte devido a um retorno de resultados. À medida que o aquecimento da água e do ar derretem o gelo do Ártico, o oceano recém-descoberto absorve ainda mais energia solar. O oceano exposto também significa mais transporte marítimo no Ártico, acompanhado de emissões de carbono negro que se instalam no gelo e absorvem ainda mais calor – uma reação desenfreada que está derretendo o Ártico como o conhecemos.

O líder do programa Ártico do WWF, Alexander Shestakov, relembrou as declarações feitas em agosto pelo presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, de que se perdermos o Ártico, perdemos o globo: “Isto é a realidade. As emissões, tanto de gases de efeito estufa quanto de carbono negro do aumento do transporte marítimo do Ártico, estão criando uma verdadeira tempestade no Ártico. Exortamos os estados do Ártico e outros a priorizarem a redução das emissões de carbono negro e a cooperarem ainda mais na consecução dos objetivos de Paris”.

Para o líder global da prática climática e energética do WWF, Manuel Pulgar-Vidal, “a tendência contínua de perda de gelo do mar no Ártico mostra que a comunidade global tem muito trabalho a fazer para atingir o objetivo de 1,5° C. É fundamental que possamos trabalhar juntos de forma imediata em soluções já disponíveis para ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono, expandindo a implantação de energia renovável, no Ártico e em todo o mundo”.

Sobre o Acordo de Paris

O Acordo de Paris, aprovado em dezembro de 2015, compromete quase 200 países a empreenderem todos os esforços para limitar o aumento da temperatura global a 1,5° C e, assim, evitar alguns dos piores impactos de um planeta aquecido.

O ano de 2016 foi o mais quente registrado. No ano passado, a temperatura média global anual subiu para um recorde de 1° C acima dos níveis pré-industriais. Mesmo que possamos parar as emissões hoje sem prejudicar a economia global, as temperaturas continuarão aumentando em alguns décimos de grau nas próximas décadas.

Limitar o aquecimento a um aumento médio de 1,5º C resultaria em uma redução do aumento do nível do mar, ondas de calor tropicais mais curtas e potencialmente menos eventos climáticos extremos, como as devastadoras chuvas e inundações que afetaram recentemente a Índia, Estados Unidos, Bangladesh e Nepal.

Sobre o mínimo de gelo do mar

O gelo do mar do Ártico geralmente atinge sua menor extensão anual em setembro.

A extensão mínima em 2017 é a 8ª mais baixa registrada desde que o monitoramento por satélite começou em 1979.

Após uma série de ondas de calor do Ártico no outono passado, o NSIDC relatou a maior extensão de gelo do mar já registrada em março.

Leia mais