Papa Francisco na Colômbia. Em 'terreno sagrado' do sofrimento, Papa reza pela reconciliação

papa Francisco reza em frente à imagem do Cristo de Bojayá | Foto: Efraín Herrera / SIG

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11 Setembro 2017

Em uma oração pura e honesta, onde vítimas e criminosos da violência estavam sob o olhar de um crucifixo danificado por uma bomba, o Papa Francisco pediu que os colombianos tivessem coragem pela paz.

A reportagem é de Gerard O'Connell, publicada por Catholic News Service, 08-09-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Simbolicamente presidindo o evento, no dia 8 de setembro, estava o que restou de um crucifixo da igreja de Bojayá, uma imagem de Jesus cujos braços e pernas foram explodidos em 2002, quando um projétil artesanal improvisado lançado por rebeldes caiu no telhado de uma igreja e explodiu.

Referindo-se à missa do bombardeio que arrancou os braços e as pernas do Cristo de Bojayá, o Papa Francisco disse: "arrancaram-Vos os vossos filhos que em Vós procuravam refúgio".

Mas não parou por aí. Orou para que Cristo nos ajudasse para que "que nos comprometamos a restaurar o vosso corpo".
"Que sejamos os vossos pés para ir ao encontro do irmão necessitado; os vossos braços para abraçar quem perdeu a sua dignidade; as vossas mãos para abençoar e consolar quem chora na solidão", orou.

"O Cristo quebrado e amputado é, para nós, 'ainda mais Cristo'", disse o papa, "porque nos mostra mais uma vez que Ele veio para sofrer por seu povo e com seu povo".

Quatro pessoas deram seu testemunho no encontro: Deisy Sanchez Rey, que participou das lutas de um grupo paramilitar por três anos antes de ser presa por dois anos; Juan Carlos Murcia Perdomo, que lutou pelas FARC por 12 anos; Pastora Mira Garcia, cujos dois filhos pequenos foram mortos pelas milícias paramilitares, e Luz Dary Landazury, que foi ferida em 2012 pela explosão de uma bomba.

O Papa Francisco falou diretamente a cada um deles, homenageando sua honestidade, dor e esforços para recomeçar uma nova vida perdoando e pedindo perdão.

"Pode ser difícil acreditar que a mudança é possível para quem apelou para a violência implacável para promover seus próprios ideais, proteger assuntos ilegais para ganhar riqueza ou reivindicar - desonestamente - que estavam defendendo a vida de seus irmãos e irmãs", disse o papa.

Minuto de silêncio antes da Cruz da Reconciliação, no Parque dos Liberadores de Villavicencio, monumento que inscreveu nomes de vítimas do conflito. (Foto: Efraín Herrera – SIG)

Mas a verdade, o perdão e a reconciliação são as únicas formas de quebrar o ciclo de violência que causou tanto sofrimento, afirmou. "Não temas a verdade nem a justiça."

No caminho de volta ao aeroporto, o Papa Francisco visitou a Cruz da Reconciliação no Parque dos Fundadores. A cruz foi carregada em uma Via Crucis em toda a região, em 2012, antes de ser colocada no parque. A placa lista o número de habitantes da região raptados, assassinados ou que morreram por lesões causadas por minas de 1964 a 2016.

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