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Ação da polícia para acabar com cracolândia gera terror em moradores e dependentes

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22 Mai 2017

“Era perto de 6h, quando ouvi tiros, bombas, gritaria. A polícia entrou com tudo. Foi um pavor! Eu só fico me perguntando para onde vai esse povo todo? Será que não percebem que são doentes? Eu não tenho o que comer hoje. Ninguém comprou leite, pão, nada. Tá tudo fechado”. Foi assim que a chilena Verônica Vega, que trabalha em um hotel na rua Barão de Piracicaba definiu a operação realizada pelo governo do Estado, em parceria com a prefeitura de São Paulo, na manhã deste domingo (21/05).

Foto: Daniel Arroyo | Ponte jornalismo

A reportagem é publicada por Ponte Jornalismo, 21-05-2017.

Mais de 500 homens da Polícia Civil, coordenados pelo GOE (Grupo de Operações Especiais), além de centenas de policiais militares com ampla ação do Choque e apoio da Guarda Civil Metropolitana trabalharam na ação que tinha como objetivo acabar com o chamado “fluxo”, localizado na rua Dino Bueno, onde o tráfico e uso de drogas acontece a qualquer hora do dia e da noite.

Segundo o delegado José Flaminio Ramos Martins, a operação é resultado de um trabalho de 8 meses de investigação. “Prendemos o líder do tráfico aqui da cracolândia, que é do PCC e que estava em Caraguatatuba. Foram expedidos 69 mandados de prisão”, explicou afirmando que acredita que agora o “fluxo” tem chances de acabar. Na região da cracolândia 28 pessoas foram presas, além de outras 10 em outras cidades do Estado.

Questionado sobre a data da operação, que coincide com a Virada Cultural, que traz shows e espetáculos diversos gratuitos para o paulistano e é organizada pela prefeitura, Flaminio negou qualquer intenção de atrapalhar o evento. “A gente age no momento oportuno. Infelizmente, acabou calhando de ser na mesma data”, afirmou. “Tudo que aconteceu aqui nessa manhã foi dentro da legalidade, com anuência do Ministério Público e Justiça, que expediu os mandados”.

Pouco mais cedo, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), comemorou a ação e disse que a cracolândia acabou. Mas não é o que moradores acreditam. Marisa vive em um prédio na avenida Rio Branco e disse disse ter “certeza” de que, quando a polícia deixar o local, tudo voltará a ser como antes. “A gente já viu esse filme. Tá vendo esse pessoal aqui no posto? Vão voltar”, disse, fazendo referência a um grupo de mais de 100 dependentes que estavam no posto de gasolina da rua Helvétia com a Rio Branco.

A prefeitura de SP anunciou que fará, a partir de hoje, um grande trabalho de reorganização da região e dará atendimento ao usuário que desejar recebê-lo. No local onde antes funcionava o programa “De Braços Abertos”, da gestão Fernando Haddad (PT), foi montado um “QG emergencial” para atender quem quiser receber ajuda. O governo disponibilizou mais de 3 mil vagas para internação voluntária além das mais de 400 vagas em albergues.

Ativistas ligados ao grupo “Craco Resiste” criticaram a ação da polícia, que impediu, por exemplo, que usuários pegassem seus documentos no fluxo, apesar de um acordo prévio feito junto ao vereador Eduardo suplicy (PT), que acompanhava a ação. Além disso, os ativistas disseram que a polícia atirou e jogou bombas dentro do fluxo sem antes negociar.

Um dos usuários, que não quis de identificar, mostrou a marca de vala de borracha nas costas. “Foi o maior desespero. Não tinha pra onde correr”, disse.

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