O ameaçador papa de Sorrentino

Mais Lidos

  • Observando em perspectiva crítica, o que está em jogo no aceleracionismo é quem define o ritmo das questões sociais, políticas e ambientais

    Aceleracionismo: a questão central do poder é a disputa de ritmos. Entrevista especial com Matheus Castelo Branco Dias

    LER MAIS
  • Entre a soberania, o neoextrativismo e as eleições 2026: o impasse do Brasil na geopolítica das terras raras. Artigo de Sérgio Botton Barcellos

    LER MAIS
  • Em decisão histórica, Senado rejeita nome de Messias ao STF

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

23 Setembro 2016

"O jovem papa", série de Paolo Sorrentino, tem Jude Law e trata do futuro da Igreja Católica.

A informação é de Orlando Margarido, publicada por CartaCapital, 23-09-2016.


Papa Pio XIII interpretado por Jude Law (Foto: Carta Capital)

É significativo que Paolo Sorrentino tenha escolhido a designação papal Pio para o protagonista de seu O Jovem Papa, série de tevê em fase de finalização, cujos dois primeiros capítulos foram exibidos no 73° Festival de Veneza.

Cabem a essa dinastia alguns dos líderes mais conservadores do Vaticano. Pio IX era chamado pelos italianos de o papa do “não”, e Pio XII, o papa de Hitler, alusão ao seu silêncio perante o Holocausto. Na conta de Sorrentino, Pio XIII (Jude Law, foto), o primeiro americano a alcançar o pontificado, pode ser uma ameaça por vir após um representante liberal como o argentino Francisco. Para o diretor, a permanência dessa liberalidade é ilusória.

A atitude papal cabe mais à trama cínica e ao jogo político propostos pelo realizador. O pontífice Lenny Belardo acolhe a noção americana do self-made man para chegar ali como o mais midiático e hábil manipulador das intrigas palacianas da sede romana.

Quem pensou em House of Cards terá motivos para confirmar a aproximação. A semelhança dá-se sobretudo na maneira arrogante e sardônica com a qual Pio XIII trata os inimigos, entre os quais o cardeal interpretado pelo ótimo Silvio Orlando.

O Jovem Papa. Paolo Sorrentino