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29 Novembro 2006

A viagem do papa Bento XVI na Turquia traduz uma chance única de aposta no diálogo entre as civilizações como caminho para o futuro da humanidade. Mas esta viagem ocorre numa atmosfera embaçada, em razão de fatos que envolveram a atuação de Ratzinger nesses últimos anos. Sua resistência à entrada da Turquia na União Européia, em 2004, quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF); e sobretudo o discurso na Universidade de Regensburg, em setembro de 2006, quando ao citar uma passagem polêmica sobre Maomé, tomada do diálogo do imperador bizantino Manoel II Paleólogo com um persa, acabam provocando conturbada reação no mundo muçulmano.
Retomando um belo poema de Marco Lucchesi, a tarefa mais importante de Bento XVI em sua peregrinação à Turquia é a de mostrar que o apelo do Todo vai no sentido de “profundas harmonias”, de mostrar com viva voz que o maior risco do ser humano quando desatende a tal apelo é dissolver-se e consumir-se.
 
(cfr. notícia do dia 29-11-06, desta página).