Silêncio e pobreza: à escuta de Francisco. Artigo de Rowan Williams

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28 Outubro 2011

Para São Francisco de Assis, o pressuposto de qualquer diálogo era a pobreza. Pobreza de espírito, que quer dizer permanecer em silêncio para que o outro possa ser escutado com sinceridade.

A opinião é de Dr. Rowan Williams, arcebispo de Canterbury e primaz anglicano, em artigo para o jornal dos bispos italianos, Avvenire, 27-10-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Para São Francisco de Assis, o pressuposto de qualquer diálogo era a pobreza. Refiro-me a todo o ministério de Francisco. Não é possível falar de diálogo sem incluir a escuta recíproca, e não é possível escutar sem admitir alguma forma de pobreza interior, como a pobreza do silêncio, que nos serve para escutar as palavras do outro, e a pobreza de reconhecer que o outro pode nos dar algo de que temos necessidade.

Pobreza de espírito quer dizer permanecer em silêncio para que o outro – quer se trate do ambiente físico, do mundo animal, do crente de fé diferente ou do não crente – possa ser escutado com sinceridade. Certamente, não é o silêncio da dúvida ou do relativismo.

É pobreza fundamentada na firme convicção da absoluta realidade de Deus revelada pelo Cristo encarnado e, como demonstra a própria vida de Francisco, nas chagas de Jesus crucificado. Fundamentada no convencimento de que o amor por Deus é sólido e forte o suficiente para superar a oposição mais intensa e obstinada, de que o silêncio do amor solícito faz surgir a verdade, e de que não se deve ter medo da verdade.

Nos encontros de Assis, deveremos escutar Francisco e pedir-lhe que reze por nós. No nosso diálogo, devemos encontrar a coragem de permanecer em silêncio juntos: não porque não temos nada a dizer ou nenhuma verdade para compartilhar, mas enquanto conscientes, e gratos, de que Cristo nos assegurou um lugar na sua vida e preparou para nós encontros em que reencontraremos e reconheceremos em pessoas e situações diversas.

Devemos encontrar o modo de falarmos e de escutarmo-nos uns aos outros de tal forma que deixemos surgir o logos, aquela energia e interação que está na base de toda a criação e que igualmente sustenta a justiça e a contemplação.