A "ausência" das mulheres na política e a cidadania incompleta

Mais Lidos

  • Centenas de aeronaves americanas prontas para atacar. Forças russas e chinesas estão realizando exercícios com Teerã

    LER MAIS
  • Pesquisadora e autora do livro Capitalismo Gore, lançado recentemente no Brasil, analisa como a violência contra minorias políticas resulta de um embaralhamento entre patriarcado e lucratividade midiática que transforma líderes extremistas em chefes de estado

    O desafio de transcender o ódio, combustível da extrema-direita, para superar a teocracia midiática. Entrevista especial com Sayak Valencia

    LER MAIS
  • O que é o Conselho da Paz, que será inaugurado amanhã por Donald Trump, e quem participa dele?

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

07 Fevereiro 2011

"Entendo que o governo Dilma Rousseff começa a criar as condições para movimentar tal situação, já que parece clara sua sensibilidade de que uma ausência permanente e continuada das mulheres dos espaços decisórios é um aspecto determinante da pior qualidade do nosso processo democrático", escreve Marlise Matos, chefe do Departamento de Ciência Política da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher da universidade, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 08-02-2011.

Eis o artigo.

O exercício dos mais diversos campos da política, numa situação de quase ausência das mulheres, constitui-se num desafio.

Algumas das concepções que nortearam as democracias ocidentais definiram espaços, construíram direitos assimetricamente para homens e mulheres.

Segundo a União Interparlamentar (IPU, 2009), a situação mundial da representação feminina é questão séria em todo o mundo: a média de mulheres nos Parlamentos é de apenas 18,6%, combinando-se as duas Câmaras.

O Brasil permanece praticando parcos 9% de mulheres na Câmara dos Deputados e, internacionalmente, se iguala aos países árabes.

No Poder Executivo, temos os mesmos pífios 9% de mulheres em prefeituras e 11% delas são governadoras de Estados.

Ao longo de 74 anos (1936-2010), a representação feminina passou de 1% para 9%: com todas as intensas transformações ocorridas no Brasil ao longo deste mesmo período é extremamente desproporcional a participação político-institucional das mulheres, contrastando com a sua significativa presença em outras áreas.

Nos países em desenvolvimento como o Brasil, a pesquisa sobre o impacto de mulheres em governos ainda é uma área de investigação completamente nova.

DILMA

Entendo que o governo Dilma Rousseff começa a criar as condições para movimentar tal situação, já que parece clara sua sensibilidade de que uma ausência permanente e continuada das mulheres dos espaços decisórios é um aspecto determinante da pior qualidade do nosso processo democrático.

Nossa cidadania política está inconclusa, pois praticamos um jogo político-representativo quase na ausência das mulheres de seu cenário, sendo este um elemento comprometedor de nossa consolidação democrática, ademais de uma barreira invisível ao nosso desenvolvimento.

Tal espaço necessita das contribuições fundamentais das mulheres organizadas, e não apenas das ações de nossa presidente, ainda que estas sejam, claro, muito bem-vindas.