@Pontifex: ''O risco de banalização existe''

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12 Dezembro 2012

"Em um ano" se entenderá se o desembarque do Papa Bento XVI no Twitter será ou não uma estratégia midiática de sucesso. Joseph Ratzinger se prepara para escrever, nesta quarta-feira, o seu primeiro tuíte, e em Villa Vigoni, no Lago de Como, os jornalistas da Itália e da Alemanha, no encontro anual do Centro Cultural Ítalo-Alemão, discutiram na noite do dia 10, com o padre Bernd Hagenkord, jesuíta à frente da redação alemã da Rádio do Vaticano desde 2009, as relações entre Vaticano e meios de comunicação, entre censura e inovação digital.

A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada no blog Oltretevere, 10-12-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Toda quarta-feira, no término da audiência geral, o pontífice irá escrever uma mensagem no site de microblogging, reino de artistas, políticos e celebridades de todo o mundo. É claro que não será o papa que irá escrever com seu próprio punho as prometidas "pérolas de sabedoria" na conta @Pontifex, que, enquanto isso, já conta com quase um milhão de seguidores [na verdade, mais de 650 mil, ndr] (o Dalai Lama tem mais de 2 milhões [na verdade, mais de 5,7 milhões, ndr]), esclareceu Hagenkord durante o encontro.

Será uma mensagem "pastoral", destacou o jornalista alemão, não sem algumas fortes limitações. Tecnicamente, haverá uma redação encarregada de traduzir o tuíte em sete línguas e de selecionar as mensagens a serem respondidas. Nada ironia, alma das mensagenzinhas de 140 caracteres, porque – explicou – seria impossível traduzi-la nas várias línguas. Além disso, Ratzinger "não se moverá online", replicando ou seguindo outros usuários.

Embora exista o risco de banalizar a mensagem da Igreja, o papa usará fórmulas breves, com um link anexado que remeterá a um texto mais amplo e exaustivo: "O risco de banalização existe – admitiu Hagenkord –, mas é preciso esperar e ver o que acontecerá em um ano".

O Vaticano pensa "por textos" e, certamente, não seguindo os ritmos dos modernos meios de comunicação, sublinhou o jesuíta. Ainda mais que o papa alemão é um papa "para ser ouvido", ao contrário do seu antecessor, grande comunicador, que tinha uma linguagem mais visual e, portanto, mais adaptada aos meios de comunicação.

Com a conta @Pontifex, a Igreja não se abre totalmente a um novo estilo de comunicação: "Obviamente, não foi uma ideia sua, mas sim do conselho de comunicação", disse Hagenkord de modo sincero, lembrando que o objetivo da Igreja é partir para a conquista do "continente digital".

Mas, cuidado: se tivesse que estourar outro Vatileaks, um tuíte falho do papa deixaria espaço para milhares de especulações...