Jesuíta uruguaio acusa o monge Anselm Grün de “herege”

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: André | 23 Mai 2012

O teólogo e sacerdote jesuíta uruguaio Horacio Bojorge criticou as heresias difundidas pelo monge beneditino Anselm Grün, aceitas por alguns católicos sem considerar sua nociva influência.

A reportagem está publicada no sítio ACI, 21-05-2012. A tradução é do Cepat.

Em um minucioso inventário de artigos enviado à ACI Prensa, o Pe. Bojorge assinala que em seus livros, Grün “reduz a mensagem revelada das Sagradas Escrituras; primeiro, porque a interpreta de forma acomodada e, segundo, porque, mediante este sentido não bíblico, a homologa com afirmações de ordem psicológica, fazendo assim do Evangelho um livro de autoajuda”.

“O confiado leitor se encontra com o relato evangélico e seu sentido literário tradicional que lhe é familiar, mas também lhe é servido, no mesmo prato, a acomodação psicológica, como se fosse igualmente válida”.

O Pe. Bojorge advertiu que nessa “acomodação psicológica, a ressurreição pode converter-se num estado de exasperação emocional e psicológica”.

“Não se nega a ressurreição, mas ela é apresentada como alternativa válida para uma interpretação que a explica como cura. Não se nega a ação demoníaca por possessão, obsessão ou tentação, mas se fala das ‘próprias sombras’”.

Por isso, o sacerdote jesuíta considerou urgente “avisar que o hoje tão difundido magistério espiritual do beneditino alemão Anselm Grün navega na corrente modernista. E acaba produzindo desvios muito prejudiciais, por serem muito parecidos ao reto caminho da fé e da espiritualidade católica”.

O Pe. Bojorge indicou que os escritos de Anselm Grün pertencem “à família daqueles que podemos chamar de erros psicologizantes. Têm em comum com a Teologia da Libertação o fato de que não têm como objetivo apresentar o sentido autêntico da Escritura assim como sempre foi interpretada pela Igreja e segundo a fé católica, mas usam os textos bíblicos com uma intenção alheia ao seu sentido literal e autêntico”.

O sacerdote jesuíta indicou que assim como para a teologia marxista da libertação, a meta é a liberdade política, para o pensamento difundido por Anselm Grün o objetivo é a “libertação psicológica do indivíduo”.

O Pe. Bojorge destacou que o pensamento de Grün está fundamentado sobre as ideias do psicanalista Carl Jung e do Pe. Eugen Drewermann, que foi afastado por seu bispo do sacerdócio, precisamente por seus ensinamentos psicologizantes.

O jesuíta criticou o fato de que Anselm Grün atribua, arbitrariamente, aos textos da Bíblia “um sentido de ordem psicológica, do ‘imaginário’ que, no entanto, ele apresenta como se fosse melhor sentido que o sentido literal, que ele qualifica, simplesmente, desdizendo inadvertidamente a tradição e o magistério como‘inútil’”.

De acordo com o Pe. Horacio Bojorge, na pregação de Grün, “o Jesus da história apresentado pelos Evangelhos é relegado à ordem da fantasia mítica e é ‘resgatado’ da insignificância à significação mediante ‘recuperações’ ideológicas, políticas ou psicológicas”.

“A liberdade de que fala Anselm Grün não é a mesma de que falou Jesus e se pode ler em Marcos. De acordo com Anselm Grün, Jesus já não é o caminho para a liberdade porque é o caminho que nos conduz ao Pai, e porque nos converte em filhos e nos dá a liberdade dos filhos”.

Segundo explicou o sacerdote jesuíta, para Anselm Grün, a liberdade é “a integração dos contrários, a integração da sombra junguiana, que é inaceitável para a espiritualidade cristã, porque implica em aceitar o pecado e até o demoníaco, para integrá-los na unificação do eu”.