''O papa é uma realidade ecumênica sensacional''. Entrevista com Theodor Dieter

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19 Fevereiro 2014

De acordo com o diretor do Instituto de Pesquisa Ecumênica, da Alemanha, Theodor Dieter, o Papa Francisco trouxe uma atmosfera completamente nova à Igreja Católica, especialmente pela sua ênfase na misericórdia.

A reportagem é de Ralf Schick, publicada no sítio Domradio.de, 15-02-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Francisco foi eleito papa há menos de um ano. Quais foram os efeitos da sua presença?

Um papa como Francisco, que se apresenta com as palavras: "Eu sou um pecador para quem Deus olhou", é uma realidade ecumênica sensacional para as cristãs e os cristãos evangélicos. Com a sua forte orientação a Jesus Cristo e a sua atenção para as pessoas e os problemas que elas põem, ele exorta a Igreja ao mesmo tempo a um retorno a Cristo e à superação da sua própria autorreferencialidade.

O que caracteriza o Papa Francisco em particular?

A sua ênfase na misericórdia produziu uma atmosfera na qual podem ser feitas perguntas que antes eram tabu. Embora com isso ainda não foram resolvidos os conflitos dogmáticos, tornou-se visível uma nova maneira de abordá-los. Veremos como ele vai definir mais precisamente o seu programa de reformas e o que ele poderá transformar.

O que foi feito, enquanto isso, no campo ecumênico?

Os muitos novos impulsos que o Papa Francisco deu, fazem com que a Igreja Católica Romana prenda a respiração, a tal ponto que ainda não se consegue entender como tais impulsos vão influenciar no ecumenismo.

Em outubro passado, você esteve em audiência privada com Francisco e deu-lhe o documento luterano-católico romano Do conflito à comunhão, que deve servir de base teológica para que cristãos evangélicos e católicos possam recordar em 2017 os 500 anos da Reforma. Quais são os pontos fundamentais desse documento?

O documento explica que, em 2017, para cristãs e cristãos evangélicos e católicos, há motivo para reconhecimento e alegria, assim como motivo para uma admissão de culpa. Ele esclarece definições fundamentais da Reforma Luterana e mostra como o diálogo ecumênico trouxe como fruto muitos elementos de sintonia sobre temas antes polêmicos. Por isso, tanto católicos quanto evangélicos podem pensar com alegria em 2017. Além disso, é levado a sério o fato de que a Igreja ocidental, no século XVI, se dividiu. E, nos conflitos, todas as partes envolvidas se mancharam de culpas, que as Igrejas cristãs em 2017 irão reconhecer e deplorar.

O que é preciso melhorar para o próximo Jubileu da Reforma de 2017?

O Jubileu da Reforma não deveria ser organizado como um megaevento segundo os supostos imperativos da era midiática. Ele deve ser entendido como um poderoso desafio teológico e espiritual. O fato de lidar com a teologia dos reformadores deve levar as Igrejas cristãs à autocrítica e ao retorno do Evangelho de Jesus Cristo. As Igrejas evangélicas deveriam se opor a toda tentativa de querer construir um mundo protestante contra a Igreja Católica Romana e, ao contrário, querer se tornar, juntamente com os católicos, mais "evangélicos" (no sentido de serem mais correspondentes ao Evangelho) e mais "católicos" (no sentido de viverem em comunhão no único corpo de Cristo).