Sem instalar-se nem olhar para trás

Mais Lidos

  • Edgar Morin (104 anos), filósofo, sobre a felicidade: “A velhice é um terreno fértil para a criação e a rebeldia”

    LER MAIS
  • Não é o Francisco: chega de desculpas! Artigo de Sergio Ventura

    LER MAIS
  • “Putin deixou bem claro que para a Rússia é normal que os Estados Unidos reivindiquem a Groenlândia”. Entrevista com Marzio G. Mian

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Junho 2016

Fonte: http://www.periodistadigital.com/religion/

Seguir Jesus é o coração da vida cristã. O essencial. Nada há mais importante ou decisivo. Precisamente por isso, Lucas descreve três pequenas cenas para que as comunidades que leem seu evangelho tomem consciência de que, aos olhos de Jesus, não pode haver nada de mais urgente e inadiável.
Jesus utiliza imagens duras e escandalosas. Observa-se que quer sacudir as consciências.

Não procura mais seguidores, mas seguidores mais comprometidos, que o sigam sem reservas, renunciando a falsas seguranças e assumindo as rupturas necessárias.

Suas palavras colocam no fundo uma só questão: que relação queremos estabelecer com Ele, aqueles que nos dizemos seus seguidores?

Primeira cena

Um dos que o acompanham sente-se tão atraído por Jesus que, antes que o chame, ele mesmo toma a iniciativa: «Irei seguir-te aonde quer que fores». Jesus faz-lhe tomar consciência do que está dizendo: «As raposas têm tocas, e os pássaros ninhos», mas ele «não tem onde repousar a cabeça».

Seguir Jesus é toda uma aventura. Ele não oferece aos seus segurança ou bem-estar. Não ajuda a ganhar dinheiro ou a adquirir poder. Seguir Jesus é «viver de caminho», sem instalarmos no bem-estar e sem procurar um falso refúgio na religião. Uma Igreja menos poderosa e mais vulnerável não é uma desgraça. É o melhor que pode acontecer-nos para purificar a nossa fé e confiar mais em Jesus.

Segunda cena

Outro está disposto a segui-lo, mas pede-lhe para cumprir primeiro com a obrigação sagrada de «sepultar seu pai». A nenhum judeu pode estranhar, pois trata-se de uma das obrigações religiosas mais importantes. A resposta de Jesus é desconcertante: «Deixe que os mortos sepultem seus próprios mortos: você vai anunciar o reino de Deus».

Abrir caminhos ao Reino de Deus trabalhando por uma vida mais humana é sempre a tarefa mais urgente. Nada deve atrasar nossa decisão. Ninguém deve reter-nos ou travar-nos. Os «mortos», que não vivem a serviço do reino da vida, já se dedicaram a outras obrigações religiosas menos urgentes que o reino de Deus e da sua justiça.

Terceira cena

A um terceiro que quer despedir-se da sua família antes de segui-Lo, Jesus diz-lhe: «Quem põe a mão no arado e olha para trás não serve para o Reino de Deus». Não é possível seguir Jesus olhando para trás. Não é possível abrir caminhos para o reino de Deus ficando no passado. Trabalhar no projeto do Pai requer dedicação total, confiança no futuro de Deus e audácia para caminhar atrás dos passos de Jesus.