A paz na igreja

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29 Abril 2016

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo João 14, 23-29 que corresponde ao Sexto Domingo de Páscoa, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

No evangelho de João podemos ler um conjunto de discursos em que Jesus se despede de seus discípulos. Os comentadores chamam-lhe «O Discurso de despedida». Nele se respira uma atmosfera muito especial: os discípulos têm medo de ficar sem seu Mestre; Jesus, por sua parte, insiste em dizer-lhes que, apesar da sua partida, nunca sentirão sua ausência.

Até cinco vezes repete-lhes que ficarão com «o Espírito Santo». Ele os defenderá, pois os manterá fiéis à sua mensagem e ao seu projeto. Por isso chama-lhe «Espírito da verdade». Num momento determinado, Jesus explica-lhes melhor o que terão que fazer: «O Defensor, o Espírito Santo... os ensinará todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu lhes disse.» Este Espírito será a memória viva de Jesus.

O horizonte que oferece a seus discípulos é grandioso. De Jesus nascerá um grande movimento espiritual de discípulos e discípulas que o seguirão defendidos pelo Espírito Santo. Eles ficarão na Sua verdade, pois esse Espírito irá ensinar-lhes tudo o que Jesus lhes foi comunicando pelos caminhos da Galileia. Ele os defenderá no futuro da perturbação e da covardia.

Jesus deseja que captem bem o que significará para eles o Espírito da verdade e Defensor da sua comunidade: «Deixo-vos a paz; dou-vos a paz». Não só lhes deseja a paz. Oferece-lhes a Sua paz. Se vivem guiados pelo Espírito, recordando e guardando as suas palavras, conhecerão a paz.

Não é uma paz qualquer. É a sua paz. Por isso lhes diz: « A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá». A paz de Jesus não se constrói com estratégias inspiradas na mentira ou na injustiça, mas sim atuando com o Espírito da verdade. Devem reafirmar-se nele: «Que não trema o vosso coração nem se acovarde».

Nestes tempos difíceis de desprestígio e perturbação que estamos a sofrer na Igreja, seria um grave erro pretender defender a nossa credibilidade e autoridade moral atuando sem o Espírito da verdade prometido por Jesus. O medo continuará a penetrar no cristianismo se procuramos assentar a nossa segurança e a nossa paz afastando-nos do caminho traçado por Ele.

Quando na Igreja se perde a paz, não é possível recuperá-la de qualquer maneira, nem serve qualquer estratégia. Com o coração cheio de ressentimento e cegueira, não é possível introduzir a paz de Jesus. É necessário converter-nos humildemente à sua verdade, mobilizar todas as nossas forças para deixar caminhos errados, e deixar-nos guiar pelo Espírito que animou a vida inteira de Jesus.