Notícia de delação da Odebrecht faz deputados preverem cenário de 'terra arrasada'

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Por: Cesar Sanson | 24 Março 2016

O anúncio da decisão do Grupo Odebrecht de firmar um acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato foi recebida com extrema apreensão na Câmara dos Deputados.

A reportagem é de Ranier Bragon e publicada por Folha de S.Paulo, 23-03-2016.

Nos bastidores, o discurso é de que há uma ameaça de terra arrasada, em que poucos sobrarão, já que a empreiteira tinha relação com praticamente todas as forças políticas.

Alguns deputados se referem à força tarefa da Lava Jato como um conjunto de Robespierres –em referência ao incendiário líder da Revolução Francesa– que teriam o objetivo de exterminar o atual status quo político, independentemente de coloração partidária.

Um dos poucos que aceitou falar sobre o assunto fora do anonimato, o deputado de oposição Raul Jungmann (PPS-PE) afirma que a anunciada delação "amplia a taxa de instabilidade política" da República.

Ele lembra que no caso do impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992, a estabilidade política foi assegurado pouco depois, cenário sobre o qual não há a menor garantia de que se repita daqui em diante.

"Em eventual governo Temer, há algo que está de fora do controle da política, que é a Operação Lava Jato".

O principal trecho da nota da Odebrecht citada pelos deputados é o que a empreiteira reconhece a existência de "um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país", o que negava até então.