Hebraísmo e cristianismo na estrela de Rosenzweig

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19 Janeiro 2016

Por que a declaração de Nostra Aetate assinalou uma virada nas relações entre o mundo hebraico e o mundo cristão? A Igreja disse um sim definitivo às raízes hebraicas do cristianismo, reconhecendo que Jesus de Nazaré é hebreu, filho de Israel, que hebreus são Maria/Myriam, os apóstolos e os discípulos que anunciaram ao mundo o Messias. A Igreja desmentiu a terrível acusação de deicídio, de assassínio de Deus, movida aos hebreus. E pronunciou um “não“ irrevocável ao antissemitismo. Após a Shoah, o mundo cristão precisou refletir sobre as consequências devastantes do anti-hebraísmo.

O comentário é de Donatella Di Cesare, publicado por Corriere della Sera, 16-01-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

Hoje a Igreja não legitima mais a teologia da substituição, aquele perverso ensinamento do desprezo que por séculos atribuiu a Israel a vingança e assignou o amor à superação cristão da “Lei”. “Veahavtà lere’akhà kamòcha, amarás o teu próximo como a ti mesmo”, diz a Bíblia, no livro Levítico 19,18. Um princípio compreensível a todos e retomado por muitos. Não um apelo genérico à bondade, mas a injunção na qual se coagula a própria ética: agirás com os outros como agirias para ti.

No entanto, a cinquenta anos de distância da Nostra Aetate, se deve reconhecer com lástima que aquelas ideias novas não encontraram uma efetiva difusão. Ainda será necessário tempo antes que se tornem patrimônio de todas as paróquias do mundo.

O Papa Francisco é diverso dos Papa que o precederam. E diversos são os tempos. O mundo cristão teve uma política de unidade em seu interior e abriu um diálogo não fácil com o Islã. Na crise planetária a Igreja de Bergoglio será de certo protagonista. Uma estreita relação com o hebraísmo é imprescindível.

Para clarear esta relação o filósofo hebreu Franz Rosenzweig recorreu à imagem da estrela: os raios que irrompem ao exterior configuram o cristianismo; o foto que arde no interior é o hebraísmo. No seu impulso expansivo o cristianismo se difunde, porque é missionário. Longe do foco, porém, os raios se enfraquecem e correm o risco de extinguir-se.