"Diplomacia" promove debate entre a razão e a cega obediência

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Janeiro 2016

"Não há discussão entre a civilização e a barbárie, porque esta não existe, mas entre a racionalidade e o cumprimento cego de ordens irracionais", escreve Luiz Zanin Oricchio, crítico de cinema, em comentário sobre o filme Diplomacia (Volker Schlöndorff, Drama, França/Alemanha, 2015, 84min), publicado por O Estado de S.Paulo, 08-01-2016. 

Eis o comentário.

Certo, o mesmo incidente foi contado em Paris Está em Chamas (1966), de René Clair. A diferença é que, neste, o embate entre o embaixador sueco e o general alemão era apenas pano de fundo para uma série de acontecimentos que tinham lugar nas ruas.

Schlondorff vai à essência da coisa, que é a tarefa de convencimento que Raoul Nordling (André Dussollier) se propõe ao enfrentar o turrão Dietrich von Choltitz (Niels Arestrup). Choltitz havia recebido ordens do Führer para não deixar pedra sobre pedra da capital francesa após a rendição. As 33 seriam dinamitadas, a Notre-Dame viria abaixo, assim com os Invalides, o Louvre, a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo. Derrotada, a Alemanha deixaria uma memória de destruição como legado. E Choltitz seria a mão do carrasco a varrer da Terra uma de suas joias - Paris e seus habitantes.

O foco será esse debate entre quatro paredes. Não há discussão entre a civilização e a barbárie, porque esta não existe, mas entre a racionalidade e o cumprimento cego de ordens irracionais. Para ser persuasivo, Nordling se colocou na posição do iluminista e supôs no alemão um interlocutor possível. O legado civilizatório francês, assimilado pelo sueco, salvou Paris.

Assista o trailer aqui.

{youtube}M1ssnjycalo{/youtube}