Cardeal Sarah impediu debate sobre os gays, diz bispo

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27 Outubro 2015

Dom Johan Bonny, porta-estandarte do pensamento progressista no Sínodo dos Bispos sobre a família, admitiu, nesta sexta-feira à noite (23 de out.), ter sido impedido de trazer, nos debates em pequenos grupos de discussão, o tema do acompanhamento pastoral dos católicos gays.

A reportagem é de Elena Curti, publicada por The Tablet, 24-10-2015. A tradução de Isaque Gomes Correa.

Bonny, bispo de Antuérpia, que esteve participando no grupo coordenado pelo experiente cardeal africano Robert Sarah, falou que não havia jeito de se discutir a questão “de uma forma pacífica”.

Bonny falava numa coletiva de imprensa em Roma convocada por três bispos belgas no Sínodo, sexta-feira à noite. Aludindo claramente às tensões no grupo com o Cardeal Sarah, Bonny disse que era melhor falar sobre a questão dos gays “de um jeito positivo do que numa atmosfera ruim”.

Em sua intervenção durante o Sínodo, Sarah (prefeito da Congregação para o Culto Divino) teria comparado a “ideologia de gênero” com o fundamentalismo do Estado Islâmico e o nazismo.

Os cardeais belgas admitiram que não havia solução para as suas preocupações centrais no Sínodo: a Comunhão para católicos divorciados e recasados e uma abordagem mais pastoral junto as pessoas homossexuais. O motivo para isso, dizem, foram a crescente predominância da África na Igreja Católica e o declínio da Europa.

Bonny, prelado nomeado para o Sínodo deste ano pelo Papa Francisco, disse que os bispos dos dois continentes vieram ao encontro com ideias e experiências contrastantes. As preocupações europeias não eram uma “preocupação fundamental” para os africanos.

Sobre a questão do acompanhamento aos gays, Bonny disse: “No Sínodo, este assunto não foi, realmente, discutido. A maioria dos bispos na Europa ocidental fala, mais ou menos, a mesma linguagem, mas a atmosfera e a prontidão não se encontravam lá, no Sínodo”.

Segundo ele, os Padres Sinodais precisavam de mais tempo para refletir sobre a questão das uniões homoafetivas. Disse que eles precisavam ouvir os estudiosos bíblicos, os teólogos morais, os canonistas e cientistas sociais.

“É sábio dizer: ‘Não vamos rápido demais’”, completou.

Os três bispos insistiram que o Sínodo marcou o começo de uma mudança positiva no acompanhamento pastoral católico das famílias, insistindo que “a janela pastoral está aberta”.

O Cardeal Godfried Daneels, arcebispo emérito da Arquidiocese de Mechelen-Bruxelas, descreveu a Igreja como um navio-tanque que leva muito tempo para alterar o seu curso, mas que, em algum momento, tal alteração acontece de fato. No entanto, ele aceitou que a Igreja está muito menos europeia, e que isso se refletiu no Sínodo.

Os últimos retoques no documento final do Sínodo estavam sendo feitos na manhã de hoje (24 de out.); o texto deverá ser entregue ao papa no fim do dia.

Bonny falou que os destaques do documento eram o firme compromisso dos bispos para com o matrimônio entre um homem e uma mulher, assentado num forte e generoso compromisso. O texto irá enfatizar que a família deve estar protegida não somente pela Igreja, mas também pela sociedade civil. Uma grande ênfase será dada à preparação matrimonial e ao apoio aos casais, especialmente nos primeiros anos.

Dom Lucas Van Looy, de Gante, falou que as palavras mais importantes presentes no documento final serão: “Escutar, integrar, acompanhar”.

Looy ecoou as exortação de Francisco sobre a misericórdia, a ternura e o testemunho ao mundo.

“A vida é mais forte que a teoria sobre o matrimônio e a família. Aprendeu-se a não julgar neste Sínodo. Aceitamos o que as pessoas têm dito. Somos um exemplo de escuta e acompanhamento. Fizemos isso nessas últimas três semanas”, disse ele.

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