Viagem do Papa a Cuba e aos EUA pode ficar ainda mais difícil com mudanças de última hora

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16 Setembro 2015

O Pe. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, disse nessa terça-feira (14) que a viagem do Papa Francisco entre os dias 19 e 27 de setembro a Cuba e aos Estados Unidos vai ser “muito longa” e “muito complexa”, em parte por causa do que já está em sua agenda oficial e, em parte, pelo que ainda está em aberto.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 15-09-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em uma coletiva de imprensa, Lombardi informou que um encontro não programado do papa com o ex-líder de Cuba, Fidel Castro, em Havana é “provável”. O porta-voz não quis comentar sobre a possibilidade de um encontro com vítimas de abuso sexual clerical nos Estados Unidos, mas disse que se isso acontecer a imprensa será avisada oportunamente. Por fim, ele desfez os rumores de um tête-à-tête com o presidente russo Vladimir Putin nas Nações Unidas.

Se alguma dessas coisas vier acontecer, elas representarão acréscimos de última hora para aquela que já é a mais longa viagem ao exterior no atual papado, viagem que levará o papa a três cidades em Cuba e mais três nos Estados Unidos durante o curso de nove dias extenuantes (10 se contarmos o tempo de viagem de e para Roma).

Sem entrar em detalhes, Lombardi falou que o Papa Francisco fez tudo o que tinha de fazer antes de sua partida.

“Ele está muito bem preparado para esta viagem, sabendo que ela é muito importante”.

Francisco vem se preparando muito para esta viagem de uma maneira especial, até porque esta é a primeira vez em sua vida que ele estará nos Estados Unidos, sem mencionar que também será a sua primeira vez em Cuba. Como o arcebispo de Buenos Aires, segundo Lombardi, o futuro papa fez uma breve escala em um aeroporto cubano, e foi só.

Sobre o tema de um encontro entre Francisco e o ex-líder cubano, Fidel Castro, Lombardi disse que “ele não foi ainda formalmente marcado”, mas o descreveu como “provável”, acrescentando que talvez o momento venha a acontecer no sábado, 19 de setembro, ou no domingo, 20 de setembro, que são os dias em que Francisco estará na capital Havana.

Se assim for, Francisco será o terceiro papa a que Fidel Castro deu boas-vindas em Cuba. Ele recebeu o Papa João Paulo II em 1998, na primeira vez em que um pontífice visitou a ilha, e teve um encontro privado com o Papa Bento XVI em 2012, embora já havia transferido o poder a seu irmão Raúl.

No período que antecede a visita aos Estados Unidos do papa, fontes vaticanas, que pediram para não ser identificadas por não estarem autorizadas a falar publicamente sobre a viagem, disseram que uma reunião com as vítimas de abuso sexual cometido pelo clero também é algo provável de acontecer. Informaram igualmente que os detalhes ainda estão sendo acertados.

No passado, a prática do Vaticano tem sido a de não anunciar estas sessões com antecedência, mas sim emitir um breve comunicado depois que elas acontecem. Em geral, os participantes formam pequenos grupos de cinco ou seis vítimas escolhidas pelos bispos locais.

A primeira dessas reuniões ocorreu na última vez que um papa visitou os Estados Unidos, na vez que Bento XVI esteve em Washington, DC, em abril de 2008. Bento XVI encontrou-se com vítimas por, pelo menos, cinco outras vezes durante o curso de seu papado.

Francisco igualmente se encontrou com um grupo de seis vítimas em sua residência no Vaticano em julho de 2014. Estas pessoas se juntaram ao pontífice na missa matinal naquele mesmo dia. Na sua homilia, Francisco prometeu que os bispos que falharem na proteção dos menores “seriam responsabilizados”.

Se uma tal sessão ocorrer nos Estados Unidos, ela será a primeira vez que Francisco se reúne com vítimas fora do Vaticano.

Quanto a estes encontros, têm havido diferentes reações por parte das vítimas e de seus defensores. Alguns os consideram como uma prova de que o papa quer ouvir as vozes das vítimas, enquanto outros os veem mais como um gesto de relações públicas apenas.

Por sua vez, a hipótese de uma reunião com Putin decorre do fato de que Francisco deve se reunir com o presidente do Conselho de Segurança da ONU enquanto estiver de visita em Nova York para discursar à Assembleia Geral deste organismo.

No momento, a Rússia está na presidência rotativa do Conselho de Segurança, e se Putin também estiver por lá, ele será a pessoa a cumprimentar o pontífice. No entanto, Lombardi disse que não há planos para que Putin esteja presente na ocasião.

Lombardi também não quis comentar sobre a ideia de um encontro entre o Papa Francisco e presidente chinês Xi Jinping, o que animou alguns analistas e blogueiros desde o anúncio de que Xi Jinping estará em Washington e em Nova York nos mesmos dias em que o pontífice irá estar nestas cidades.

“Não tenho nenhuma informação de que um tal encontro esteja sendo pensado”, disse ele aos jornalistas.

Francisco se encontrou com Putin no Vaticano em junho deste ano, o que representou o segundo momento destes dois líderes juntos. O pontífice ainda não conheceu Xi Jinping, mas enviou uma carta pessoal através de um amigo argentino em setembro 2014 convidando o líder asiático a visitá-lo no Vaticano e expressando sua vontade de viajar “amanhã” para Pequim para a mesma finalidade.

Embora Lombardi pareceu pensar que um encontro entre Francisco e o líder chinês seja algo como um tiro no escuro, ele deixou escapar uma frase em um outro contexto que parece muito oportuna:
“Com este papa não podemos excluir nada”, disse ele.

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