Varoufakis preparou sistema bancário paralelo ao euro em caso de ‘corralito’

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29 Julho 2015

O ex-ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, planejou um sistema bancário paralelo ao euro pelo qual os pagamentos poderiam ser efetuados em dracma —moeda anterior ao euro— se a antiga troika —Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Comissão Europeia— estabelecesse um controle de capitais —algo que acabou acontecendo, mas por decisão do Governo grego— ou se o país fosse forçado a sair da zona do euro. O sistema, segundo uma publicação deste domingo do jornal conservador grego Ekathimerini, foi concebido para utilizar os Números de Identificação Fiscal (NIF) de indivíduos e empresas, que seriam obtidos de forma “pirateada” no site da Secretaria Geral da Receita Pública, que está atualmente sob o controle das instituições.

A reportagem é de Belén Domínguez Cebrián, publicada pelo jornal El País, 27-07-2015.

Varoufakis —que havia criado o sistema em dezembro, antes de ser ministro, em parceria com outras cinco pessoas— explicou o plano em uma reunião com investidores em 16 de julho, 10 dias depois de apresentar sua renúncia como ministro das Finanças do Governo de Alexis Tsipras. Nessa reunião, segundo informações vazadas pela imprensa local, Varoufakis teria dito que o plano B permitiria a implantação “da noite para o dia” de um mecanismo de pagamento em euros vinculado ao dracma através de notas promissórias.

A ideia era "criar clandestinamente contas secretas vinculadas ao número fiscal de cada contribuinte" para, em determinado momento, utilizar "esse mecanismo de pagamento paralelo para aqueles que têm dívidas ou para pagar os impostos do Estado".

Assim, existiria um sistema bancário paralelo enquanto os bancos estivessem fechados “como consequência da agressividade do BCE e sua recusa em nos deixar respirar", disse Varoufakis que, depois de ter classificado tal informação como “difamação” em sua conta no Twitter, reconheceu que o plano existia, mas com uma diferença: a intenção nunca foi sair do euro.

Varoufakis, que elaborou o plano com o professor James K. Galbraith, afirmou que não se tratava de “piratear” o site da instituição, mas uma forma alternativa para acelerar a saída da crise que não tem nada a ver com a negociação da dívida do país, que responde por quase 200% do PIB. "A Secretaria Geral de Sistemas de Informação havia começado a estudar outros métodos através dos quais o Taxisnet [o site da Secretaria Geral da Receita Pública] poderia tornar-se (...) um sistema de pagamento terceirizado, um sistema que melhora a eficiência e reduz ao mínimo os atrasos da pesquisa do Estado em relação aos cidadãos e vice-versa", disse o ex-ministro das Finanças.