A lenta morte das revistas católicas na Itália

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27 Julho 2015

Uma revista de inspiração católica que uma vez foi líder na publicação de opiniões nas discussões da Igreja vai deixar de ser publicada até o fim do ano, uma evidência de uma crise que tem assolado as revistas católicas durante a última década.

A reportagem é de Andrea Gagliarducci, publicada pela Catholic News Agency (CNA), 18-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Il Regno, uma revista bimestral que começou sua publicação em 1956, antes do Concílio Vaticano II, vai deixar de ser publicada depois de uma decisão da Província Setentrional italiana dos Padres Dehonianos, que são os editores da revista.

Em um comunicado, os Padres Dehonianos ressaltaram que a decisão de terminar a publicação foi "sofrida", pois enfraquece a presença de uma "protagonista da vida eclesial e da reflexão civil", mas foi uma escolha inevitável devido a problemas econômicos.

Com o desaparecimento da Il Regno do cenário da mídia italiana, é preciso salientar que a maioria das outras revistas de inspiração católica do país também estão vivendo uma crise financeira. Algumas tiveram que se renovar, enquanto outras pararam completamente a sua publicação.

Em 2012, a Trenta Giorni, uma publicação mensal do movimento Comunhão e Libertação, que foi lançada em 1983, encerrou as suas publicações. Principalmente focada na vida da Igreja, na diplomacia e na análise em profundidade, a revista mensal também era entregue gratuitamente para as missões católicas em quatro idiomas diferentes.

Em 2014, a revista Ad Gentes, a única na Itália completamente dedicada às missões, encerrou suas publicações porque não conseguia atrair assinaturas suficientes.

O padre Piero Gheddo, um antigo missionário, comentou sobre o encerramento da revista, dizendo que em décadas anteriores "havia a clara afirmação da nossa identidade: ir ao encontro dos povos não cristãos, aonde a Santa Sé nos mandava, anunciar e testemunhar Cristo e o seu Evangelho, do qual todos precisam. Sim, também se falava das obras de caridade, de educação, de saúde, de promoção, de direitos e obras de justiça pelos pobres e os explorados. Mas, acima de tudo, emergia o entusiasmo de ser chamados por Jesus para levá-Lo a povos que vivem sem conhecer o Deus do amor e do perdão".

Uma falta de identidade missionária hoje poderia ser uma das razões pelas quais as revistas católicas estão enfrentando dificuldades agora.

Na Itália, existem cerca de 194 revistas e jornais católicos, mas o padre Giorgio Zucchelli, que atuou durante anos como presidente da Federação Italiana dos Semanários Católicos, ressaltou que os editores das revistas – muitas vezes bispos – tendem a pressionar por jornais clericais, enquanto "deveriam entender que, dessa forma, as revistas não conseguem atrair pessoas".

Baseado na sua experiência, ele acrescentou que "as revistas de inspiração católica deveriam tratar de questões mais gerais, até mesmo dos assuntos mais quentes, sem medo de expressar o seu ponto de vista".

Em geral, as revistas de inspiração católica na Itália têm sido faróis de liberdade.

Registros indicam que 58 revistas católicas foram fundadas na Itália de 1867 a 1922. Durante o regime fascista (1923-1943), houve apenas 10 novas revistas católicas, enquanto o período de 1943 até o fim do Concílio Vaticano II viu o nascimento de 33 novas revistas.

Do Concílio até 2010, segundo os dados mais recentes disponíveis, nasceram 86 revistas de inspiração católica.

Fundada em 1956, a Il Regno sempre acompanhou a visão sugerida pelo padre Zucchelli: desde o início, a revista publicou uma grande variedade de artigos sobre notícias, com um foco especial na política italiana, e também enfatizou o ecumenismo, as questões do Terceiro Mundo e as questões sociais.

Em 1964, a Il Regno também começou a publicar o Documenti, um livro impresso anexado à revista que republicava todos os documentos pontifícios.

Junto com a Il Regno, os Padres Dehonianos também decidiram descontinuar outra publicação, a Settimana, uma revista mensal cheia de reflexões teológicas de alto nível, que era leitura obrigatória entre os sacerdotes, especialmente na Cúria vaticana.

Olhando para a frente, o fechamento da Il Regno levanta muitas questões: ainda há espaço para as informações de inspiração católica em um mundo saturado de mídia? E até que ponto uma forte identidade católica é necessária para a sobrevivência da mídia católica?

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