Prazo termina, e Grécia não paga dívida com FMI

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Cesar Sanson | 01 Julho 2015

Ministros da zona do euro rejeitam última proposta de Tsipras e descartam renovar programa de resgate. Decisão impossibilita Atenas de receber última parcela da ajuda europeia e de pagar débito de 1,6 bilhão de euros.

A reportagem é da agência de notícias Deutsche Welle, 30-06-2015.

O fim desta terça-feira (30/06) abriu um novo período de incerteza na Grécia. À meia-noite, expirou o prazo para que fosse paga a dívida de 1,6 bilhão de euros com o Fundo Monetário Internacional (FMI), no ápice de uma crise que pôs Atenas em rota de coalizão com a zona do euro e que pode culminar em sua saída da área de moeda única.

Para pagar a dívida, a Grécia precisava desbloquear os 7,2 bilhões de euros da última parcela do pacote de resgate concedido pelos credores. O primeiro-ministro Alexis Tsipras tentou até o último minuto, fazendo, já nas horas finais do dia, uma nova proposta a seus credores.

Relutantes ante a recusa do governo Tsipras em aceitar as pré-condições (no caso as medidas de austeridade) para a liberação do dinheiro, os ministros da zona do euro recusaram. E acabaram jogando a Grécia num pequeno grupo de países que não estão em dia com o FMI, como Iraque, Sudão, Somália e Zimbábue.

"Seria uma loucura estender o programa de resgate", disse o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. "Isso não pode acontecer e não vai acontecer. O programa expira nesta noite."

"Calote técnico"

A inadimplência - a primeira de um país desenvolvido com o FMI - não configura um calote na interpretação da entidade, que a qualifica como "atraso". Mas é um sinal de que, nas próximas semanas, Atenas pode não ter como cumprir com outras obrigações, como o pagamento dos títulos de dívida pública. As agências de classificação de risco também dizem que o não pagamento não é um calote de fato. É improvável também que o Banco Central Europeu anuncie que a Grécia está falida.

Em reunião de emergência na noite desta terça, os ministros de Finanças da zona do euro, composta por 19 países, avisaram que vão voltar a discutir a extensão do programa de resgate nesta quarta. É a primeira vez em cinco anos que Atenas está sem ajuda externa.

"O colapso das negociações entre o governo grego e seus credores tem aumentado significativamente o risco de que a Grécia não será capaz de honrar suas obrigações de dívida nos próximos meses, incluindo obrigações no setor privado", afirmou a agência de classificação de risco Fitch, que rebaixou a nota do país para CC, último nível antes da moratória.

Segundo a carta enviada por Tsipras aos credores nesta terça-feira, a Grécia tem "problemas financeiros urgentes". Deve, de acordo com ele, 29 bilhões de euros a vários organismos, entre eles 9,1 bilhões ao FMI, a serem pagos até 2017. Só neste ano, Atenas terá que desembolsar, no total, 12 bilhões.

Os detalhes da última proposta de Tsipras não estão claros. O acordo seria para ser implementado ao longo de dois anos, contemplaria adiamento do pagamentos de dívidas e uma ajuda emergencial para evitar, nas palavras do premiê, "um calote técnico".

À espera do referendo

No próximo domingo, está programado um referendo para saber se o povo grego está disposto a aceitar as novas medidas de austeridade sugeridas pelos credores em troca da extensão do programa de resgate.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, deixou claro que não considerará o prolongamento da ajuda financeira até que o referendo seja realizado. A consulta popular foi um dos motivos que levaram, nos últimos dias, ao rompimento nas negociações entre credores e Atenas.

A estratégia da maioria dos líderes da zona do euro parece ser apostar na vitória do "sim" (a favor de uma negociação com a zona do euro) no referendo. Isso enfraqueceria o premiê grego, que teve num discurso antiausteridade uma das principais marcas de sua campanha e que descreveu as propostas dos credores como "humilhantes".

Segundo pesquisa do último fim de semana encomendada pela revista To Vima, 47% dos gregos são a favor das medidas de austeridade propostas pelos credores, que contemplam elevação de impostos e cortes no sistema de aposentadorias. Apenas 33% se opõem. Nesta terça, cerca de 20 mil pessoas foram às ruas de Atenas em apoio a um acordo.