“Agora o Ior trabalha bem. Modificamos a Cúria malgrado as resistências”

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20 Abril 2015

“A reforma do governo da Igreja universal não é uma coisa que se possa improvisar. A mudança procede, malgrado os obstáculos e as desacelerações, mas as dificuldades podem transformar-se em oportunidades”. De resto, “no último consistório as propostas foram ilustradas e encontraram amplo consenso”. Além disso, “não fechamos o Ior porque isso prejudicaria as congregações religiosas. E depois, é mais fácil curar um enfermo do que ressuscitar um morto”.

O cardeal salesiano Oscar Andres Rodriguez Maradiaga, coordenador do conselho de purpurados instituído por Francisco para reformar a Cúria, responde à bateria de perguntas dos jornalistas no final da apresentação, na sede nacional da Ação Católica italiana, do livro “Poveri” [Pobres] (edição Ave) dedicado à pregação social do cardeal e agora Papa Jorge Maria Bergoglio.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada por Vatican Insider, 15-04-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Uma conversação sem meias palavras. Não são verdadeiras as afirmações jornalísticas sobre presumidos excessos de despesas da parte do cardeal australiano George Pell, prefeito da Secretaria Vaticana para a Economia, assegura o coordenador do conselho para a reforma da Cúria (C9) da qual faz parte o próprio Pell. “São calúnias, é como com o marxismo que atacava a pessoa não podendo atacar a ideia. Pell é uma pessoa sóbria e que não gosta do luxo”.

Na mesa-redonda com o diretor da Civiltà Cattolica, o padre Antonio Spadaro e o presidente da Ação Católica Matteo Truffelli, Maradiaga resumiu a pregação do Papa que sonha com “uma Igreja pobre para os pobres”.

A pobreza na Igreja, de fato, “não é um tema conjuntural, mas originariamente evangélico: tudo parte de Belém”. Por isso Francisco propõe a toda a Igreja “a centralidade dos pobres na ação evangelizadora”.

Em suma, sublinha o presidente da Cáritas Internacional, “a opção preferencial pelos pobres se funda na Sagrada Escritura” porque “os pobres têm um lugar privilegiado no coração de Deus”.

Com tons apaixonados e envolventes, o primeiro cardeal da história de Honduras descreve como o Papa Bergoglio tem procurado em todo momento valorizar o tema da pobreza “não como uma noção vaga, mas como conceito genuinamente cristão”.

Para Francisco “os pobres têm uma fisionomia” e por isso exorta os fiéis a se oporem à “idolatria do dinheiro” que evidencia “a falta de humanidade dos modelos econômicos que promovem a cultura do bem-estar”. No entanto, “o mundo do mercado e das finanças nos torna indiferentes à dor humana”.

Assim Francisco “indica profeticamente uma via para superar a violência”, enquanto “a iniquidade é a raiz dos males sociais” e a “solidariedade é uma exigência ética imprescindível para quem se proclama cristão”.

O modelo de seu Magistério é São João Crisóstomo, para o qual “a Igreja fiel ao Evangelho deve escutar o clamor dos pobres”. A opção pelos últimos, “por aqueles que a sociedade descarta e joga fora”.

Maradiaga cita o dito espanhol de que o exemplo é o melhor pregador para ressaltar  que o estilo simples de Francisco, "o modo de se aproximar do povo, o teor de vida essencial e muito distante de um estilo senhoril e de palácio, a sintonia no olhar com quem sofre, o ouvido atento ao gemido dos mais deserdados, a genuinidade evangélica e a austeridade pessoal”.

Muito eficaz também a intervenção do padre Antonio Spadaro que analisou a linguagem “criativa e carinhosa” de Francisco e a “densidade de sua palavra que se torna carne”. Para o Papa vindo “quase do fim do mundo” o pregador é mãe.

Francisco “escolheu fazer-se entender sem necessidade de hermeneutas”. E, de fato, “o povo o entende e muitos intérpretes não”. Sua pregação é “permeada de compartilhamento, performativa, capaz de provocar”.

Segundo o diretor da histórica revista dos jesuítas, o Pontífice procura sempre a “relação direta” e sua mensagem “se oferece à compreensão de todos”.

No final da conferência ocorreu o perguntar e responder com os cronistas, com a questão das finanças em primeiro plano. “O Ior? Aquilo já foi reformado: Estão trabalhando e estão trabalhando bem”.

Sobre o fato que o próprio Maradiaga estava entre aqueles que teriam querido o fechamento do “banco” vaticano, o purpurado respondeu: “falamos disso antes, mas, após ter examinado as conclusões, sabíamos que fechá-lo teria significado tanta perda em relação aos fundos para as congregações religiosas”. E imediatamente acrescentou: “É mais fácil curar um enfermo do que ressuscitar um morto”.

Perguntado se permaneceu suspensa, no trabalho sobre a reforma da Cúria, a questão das finanças, Maradiaga respondeu que “nada foi suspendido”. E até “os estatutos têm sido aprovados e as duas comissões, isto é, o Conselho para a Economia e a Secretaria para a Economia, são dois organismos que vão em frente”. Não sem problemas.

“As resistências se encontram por toda parte, não devemos nos espantar. Mas as resistências também se tornam ocasião para superar os obstáculos”. Sobre as polêmicas do lado turco contra as declarações do Pontífice sobre o “genocídio” armênio, segundo Maradiaga, Francisco “foi corajoso ao denunciar uma coisa que não se pode negar, porque a história está aí e se devem relativizar estas polêmicas, porque não vai explodir uma guerra mundial por isso”.

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