Não confio em ninguém. A "despolitização é impressionante", constata pesquisadora

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14 Abril 2015

Da coluna de Mônica Bergamo, jornalista, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 14-04-2015:

Geraldo Alckmin (PSDB-SP) é o único político que consegue ser apontado como "muito confiável" por um número maior de manifestantes que foram à avenida Paulista anteontem (29%) do que os que dizem não confiar nele (28%). Os dados são de pesquisa coordenada por Esther Solano, professora de Relações Internacionais da Unifesp, e pelo filósofo Pablo Ortellado, da USP.

O levantamento mostra que, apesar da aversão ao PT, a desconfiança é geral. Só 22,6%, por exemplo, disseram confiar muito em Aécio Neves (PSDB-MG), contra 76% que dizem confiar pouco ou nada no mineiro; 23,8% confiam muito em José Serra, contra 75,4 % que dão pouco ou nenhum crédito ao senador. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) é tido como muito confiável por 19,4%, aparecendo à frente de Marina Silva, com 14,7%.

"Entre um público que se autodefine como de direita ou de centro-direita [46%, segundo o Datafolha, políticos de oposição deveriam estar melhor colocados", diz Esther Solano. A "despolitização", segundo ela, é "impressionante". A maioria não aponta nenhuma liderança como referência; 8% citaram Fernando Henrique Cardoso e 12%, Aécio Neves.

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores é a baixa confiança na imprensa - só 21% disseram confiar "muito" nos meios de comunicação. Isso explicaria o fato de informações "não confiáveis e com fundo polêmico" serem levadas a sério por boa parte dos que protestavam. Entre as frases testadas e levadas a sério por 42% está a de que o PT trouxe ao Brasil 50 mil haitianos para que votassem em Dilma Rousseff em 2014.

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