Sinais reais do “efeito Francisco”?

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27 Março 2015

O Papa Francisco parece mais popular do que nunca entre os católicos americanos, e ele ainda nem visitou os EUA, evento planejado para setembro e que bem poderá aumentar, ainda mais, a sua visibilidade e o seu apelo.

Mas será que Francisco vai encontrar os católicos americanos lotando os bancos das igrejas? Ou estes ficarão apenas apreciando o papa de longe? Essa é uma das grandes interrogações – até agora sem respostas – sobre este seu notório papado.

Mas hoje um pesquisador pode ter encontrado alguns sinais, ainda que incertos, de um incipiente “efeito Francisco”.

A reportagem é de David Gibson, publicada por Religion News Service, 26-03-2015 . A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Mark Gray, do Centro de Pesquisas Aplicadas no Apostolado, da Georgetown University, analisou os números derivados da pesquisa “General Social Survey 2014”, ponto de referência para as pesquisas em sociologia nos EUA. A GSS, como é conhecida, começou em 1972 e é realizada a cada dois anos utilizando-se entrevistas face a face com pessoas adultas escolhidas aleatoriamente.

Gray observou que quando se pediu para caracterizarem a força de suas afiliações religiosas, 34% dos católicos disseram que ser tal afiliação “forte”, acima dos 27% de 2012, ano antes da eleição de Francisco. Este aumento de 7% é uma “diferença significativa”, disse o pesquisador.

Houve também um declínio na porcentagem dos que dizem que sua afiliação com a Igreja Católica era “não muito forte”: 56%, 6 pontos a menos.

“De novo, esta não é uma mudança maciça, mas rompe a tendência decrescente de católicos dizendo que sua afiliação era ‘forte’, fenômeno que vinha acontecendo nas últimas décadas”, escreveu Gray em um artigo publicado na internet.

Um outro marcador da força do catolicismo, e de qualquer religião, é o índice de retenção: a porcentagem daqueles que nasceram na religião e que permanecem nela quando adultos.

Gray notou que o índice de retenção no catolicismo vinha caindo desde o começo da década de 1970, com uma alta em meados de 1980 a uma baixa de 65% em 2012.

Mas a GSS de 2014 mostrou que este índice permaneceu estável pela primeira vez. “Dada a história recente, permanecer estável é, ainda assim, um resultado interessante”, disse o pesquisador.

A resistência no catolicismo apresenta um contraste com os índices de afiliação relativo às igrejas protestantes, que continuam a cair acentuadamente, ficando pela primeira vez abaixo dos 50% em 2014.

Estes números sobre a identidade católica acompanham os dados encontrados em outras pesquisas de opinião, como uma que o Centro de Pesquisas Pew realizou há um ano, em fevereiro de 2014.

Ainda assim, nem a pesquisa do Centro Pew nem os dados da GSS mostram algum aumento na ida de fiéis à missa, fator visto como o ponto de referência mais seguro do sucesso de um papa que considera a evangelização e o trabalho social como a prioridade para a Igreja e o seu pontificado.

No entanto, o levantamento do Centro de Pesquisas Pew mostra que os que já vão à igreja regularmente eram os mais animados com o novo papa.

“Isto sugere que, se houve um ‘efeito Francisco’ no primeiro ano de seu papado, ele se fez mais presente entre os católicos que já eram bastante comprometidos”, disse Jessica Martinez, do Centro de Pesquisas Pew, aos jornalistas no começo deste mês.

Em outras palavras: “A melhor notícia advinda dos dados da GGS de 2014 é que algumas tendências preocupantes pararam ou se inverteram”, escreveu Gray.

Mas, continuou ele: “Será preciso mais uma ou duas rodadas de pesquisas com resultados consistentes para discernirmos, nos dados, uma verdadeira ‘correção’ de percurso”, disse. “Os dados que por ora analisamos poderão ser uma exceção”.

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