A cegueira do petróleo

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18 Fevereiro 2015

O vigário apostólico de Trípoli, Dom Giovanni Innocenzo Martinelli, permanece na Líbia. "A comunidade internacional – explica – deveria ser capaz de lançar um diálogo com este país, que custa a reencontrar a unidade interna."

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 17-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há muito tempo na Líbia, Martinelli interpreta a linha do papa, preocupado que a autorreferencialidade do mundo econômico ocidental, focado apenas nos lucros (com uma classe política simplesmente a tiracolo), aumente a gangrena das crises, em vez de curá-la.

"Pensamos em tomar o petróleo, pensamos nos nossos interesses e nos esquecemos um pouco do diálogo humano, sincero, entre as partes", explica o bispo.

Para Francisco, é essencial ter olhos e ouvidos in loco. Para compreender os eventos e, depois, evitar que a crise líbia seja explorada por populistas e demagogos já prontos para delirar sobre terroristas que chegam nos botes (esquecendo-se que os verdadeiros assassinos chegam nos aviões de linha, e os "lobos solitários" de Paris e da Dinamarca, ao contrário, são pessoas que vivem no próprio lugar).

A Secretaria de Estado segue os golpes de cena na outra margem do Mediterrâneo com extrema prudência. O papa argentino já deixou claro em agosto passado (justamente referindo-se ao Isis) que é "lícito deter o agressor injusto" diante de uma agressão injusta. Com uma única condição, no entanto: que seja uma iniciativa das Nações Unidas. Não a escolha de uma nação ou de um grupinho de Estados.

Enquanto isso, Francisco tenta evitar a histeria anti-islâmica. Mesmo quando deplora o assassinato dos cristãos coptas, nunca quer escorregar (exatamente como o Papa Wojtyla) na armadilha da contraposição "nós contra eles".