Termina o Sínodo 2014. Um texto mais meditado e as duas decisões do Papa

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19 Outubro 2014

“Aprofundamento”, é a palavra chave da Relatio do Sínodo no que diz respeito à comunhão dos divorciados que casaram novamente.

Quanto aos gays, se sublinha o ensino da Igreja, ou seja: nenhuma discriminação “mas não existe nenhum fundamento para assimilar ou estabelecer analogias, ainda que remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimônio e a família”.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabró, publicada no portal do jornal Corriere della Sera, 18-10-2014.

A Relatio do Sínodo, de 20 páginas, aprovada na tarde deste sábado, 18-10-2014, é substancialmente diferente da Relatio inicial apresentada no início dos trabalhos, pelo cardeal Erdö. Assim, ela se distancia da posição expressa pelo cardeal Walter Kasper e pelo episcopado alemão.

Dos 62 pontos da Relatio Synodi, 59 foram aprovados com a maioria de dois terços, e três não conseguiram esta maioria: trata-se dos parágrafos relativos à admissão à comunhão dos divorciados que casaram novamente, a acolhida pastoral dos homossexuais e da comunhão espiritual (que na realidade era conceitualmente uma alternativa à comunhão para os divorciados que casaram novamente). Os três parágrafos, no entanto, obtiveram a maioria simples dos votos, mas com uma formulação muito diferente daquela que fora apresentada pelo cardeal Erdö.

Prevaleceram as posições dos episcopados americano (começando pelo arcebispo de Nova York, Timothy Dolan), o polaco e dos cardeais e bispos africanos (Napier). Igualmente prevaleceu a opinião dos cardeais que se expressaram publicamente discordando de Kasper com entrevistas e livros publicados na imediata vigília do Sínodo. Inclusive o cardeal prefeito da Economia, George Pell.

Mas o Papa tomou firmemente nas mãos os trabalhos dos padres sinodais com duas medidas de governo. A primeira: a publicação imediata da Relatio aprovada na tarde do sábado de maneira que se evitassem interpretações equivocadas e vazassem notícias parciais sobre pontos controvertidos.

A segunda: o Papa fez um discurso no final do Sínodo que o porta-voz do Vaticano descreveu como “verdadeiramente bonito”, no qual ressaltou que há um ano pela frente para o trabalho de “encontrar soluções” já que o seu dever e dos padres sinodais “é ir ao encontro das ovelhas desanimadas”.

Nota da IHU On-Line: A Relatio Synodi, em italiano, pode ser lida aqui. O discurso do Papa Francisco no final dos trabalhos do Sínodo pode ser lido aqui. Um detalhe: O discurso do Papa foi aplaudido, de pé, durante cinco minutos, pelos padres sinodais.