Jornal Nacional manipulou documentos para criminalizar manifestantes, dizem advogados

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Por: Cesar Sanson | 25 Julho 2014

Material veiculado pela TV Globo sequer foi disponibilizado para o desembargador do caso e nem para os advogados dos envolvidos.

A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 24-07-2014.

A reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, que relacionou as manifestações no Rio de Janeiro com atos criminosos, mesmo sem ter provas concretas, não passou de uma ‘manipulação de narrativa’ e ‘criação de contextos próprios’.

A análise foi feita pelos advogados ativistas - grupo de advogados que atua em defesa dos manifestantes que vão presos em protestos de rua. A reportagem, que foi ao ar na segunda-feira (21), iniciou dizendo que a Globo teve acesso a ‘depoimentos de testemunhas e escutas telefônicas’.

Esse material, segundo os advogados ativistas, não foi sequer disponibilizado para o desembargador do caso e nem para os advogados dos envolvidos. “No entanto, a emissora conseguiu todo o material em ‘primeira mão’ e publicou no Jornal Nacional”, dizem.

No decorrer da reportagem, uma série de imagens violentas é transmitida pela emissora. Os advogados esclarecem que esse tipo de veiculação ‘é para que o telespectador faça inconscientemente a associação entre os acusados e os crimes’.

Nesta quarta-feira (23), o desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal do Rio de Janeiro, concedeu habeas corpus aos 23 ativistas que tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça carioca. Em sua justificativa, Darlan declarou que a ordem de prisão carece de fundamentação.