Energia solar chinesa sustentará a expansão global recorde em 2014

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03 Março 2014

Desenvolvedores solares ao redor do mundo instalarão uma capacidade recorde este ano na medida em que o próspero mercado chinês impulsiona o crescimento no setor, foi o que mostrou uma pesquisa feita pelo grupo Bloomberg ao mesmo tempo em que a indústria de 102 bilhões de dólares volta a dar lucros.

A reportagem é de Marc Roca, publicada pelo portal Bloomberg, 25-02-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Cerca de 44,5 gigawatts serão acrescidos em todo o mundo, um aumento de 20,9% sobre as instalações feitas no ano passado, segundo a média estimada de nove analistas e agências de pesquisa. Este número é igual à retirada de 10 reatores atômicos. No ano passado a nova capacidade aumentou para 20,3%, após um ganho em 2012 de 4,4%.

A China se tornou o maior mercado de energia solar em 2013, ajudando a pôr fim à redução que já durava dois anos para os fabricantes do setor. O apoio estatal para projetos fotovoltaicos no país asiático, que é o maior consumidor de energia do mundo, tem visto os custos de instalação caírem no momento em que acelera o desenvolvimento de energias renováveis para reduzir a poluição.

“Após dois anos de um recessão castigadora, a indústria global de energia solar está se recuperando”, afirmou Ash Sharma, diretor de pesquisa em energia solar na Englewood, empresa com sede no estado do Colorado. “Espera-se dobrar em dois dígitos o número de instalações fotovoltaicas ao redor do mundo em 2014; os gastos de capital empregados na produção de painéis solares estão sendo recuperados; os preços dos módulos estão se estabilizando; e mercados emergentes estão ascensão”.

O crescimento na China, no Japão e nos Estados Unidos, onde os preços dos painéis solares caíram e onde os governos aumentaram os subsídios, está compensando as baixas instalações na Europa, o líder industrial até 2012. Os produtores norte-americanos e asiáticos estão restaurando seus lucros depois de dois anos de perdas causadas por um excesso de painéis.

Desempenho das ações

O desempenho aqui se reflete nos preços das ações relativas à energia solar, que subiram no ano passado. O Índice Global de Energia Solar (Bloomberg/Bolsa de Valores de Nova York) subiu mais de 70% no período, com várias ações na Bolsa tendo seus valores triplicados.

Um mercado balanceado, no qual as combinações de produção são exigentes, está emergindo, segundo a IHS e a New Energy Finance, do grupo Bloomberg. Além destes, a pesquisa sobre energia solar incluiu estimativas do Deutsche Bank AG, do Citigroup Inc., do HSBC Holdings Plc., do Yingli, de PriceWaterHouseCoopers LLP, da SolarBuzz LLC e da Wacker Chemie AG.

Os fabricantes solares começaram a se recuperar das perdas no terceiro trimestre de 2013 e agora estão relatando resultados do quarto trimestre. A SunPower registrou lucros em fevereiro de 2013 que superaram as estimativas dos analistas. Os lucros da empresa japonesa Panasonic – que produz painéis solares bem como eletrônicos de consumo – também excederam as estimativas.

O crescimento chinês

A empresa Yingli, com sede em Baoding (China), espera apresentar seus primeiros lucros em três anos já neste segundo trimestre. O seu mercado nacional, onde os desenvolvedores de energia solar instalaram nada menos que 12 gigawatts no ano passado, pode construir ainda mais em 2014, segundo a agência New Energy Finance. O governo estabeleceu um limite de 14 gigawatts para as instalações no intuito de evitar o crescimento descontrolado.

“As cifras de 2013 mostram a escala surpreendente do mercado chinês”, disse Jenny Chase, líder das análises sobre energia solar da New Energy Finance. “A energia fotovoltaica cada vez se torna mais barata e simples de ser instalada, e o governo chinês vem se surpreendendo, tanto quanto os governos europeus, com a velocidade em que ela pode ser instalada vista dos incentivos”.

O investimento global nas instalações de energia solar feito no ano passado totaliza 102 bilhões de dólares, segundo a agência New Energy Finance.

Neste ano o Japão pode instalar uma capacidade recorde de aproximadamente 10,5 gigawatts, enquanto que os EUA irão construir nada menos do que 5,3 gigawatts. É o que mostram as estimativas feitas também pela New Energy Finance. As empresas que sobreviveram à desaceleração surgiram com mais força e agora estão mais preparadas, afirmou Chade.

Na medida em que o excesso de oferta industrial se encolher, as grandes empresas de polissilicone – matéria-prima usada nos equipamentos solares – e os fabricantes de painéis ativos na Ásia devem ficar com a maior fatia, afirmou Sharma. “Não estamos esperando gargalos, mas a diferença entre a oferta e a procura está terminando”.