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01 Novembro 2013

A Rádio Vaticano comemora o 20º aniversário da morte de Federico Fellini, ocorrida no dia 31 de outubro de 1993, entrevistando o jesuíta Virgilio Fantuzzi, crítico de cinema da revista Civiltà Cattolica que conheceu pessoalmente o diretor e frequentou, como observador, os seus sets na Cinecittà, além de ser coirmão daquele Papa Jorge Mario Bergoglio que elogiou publicamente, justamente na Civiltà Cattolica, o filme La Strada ("La strada de Fellini é talvez o filme de que mais gostei. Identifico-me com aquele filme, no qual está implícita uma referência a São Francisco").

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no blog Oltretevere, 31-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Eu gostaria de voltar um pouco", comenta Fantuzzi. "Antes de fazer filmes por conta própria, Fellini também trabalhou para uma grande quantidade de outros diretores e, em particular, colaborou com Roberto Rossellini em um filme que é uma obra-prima absoluta. Chama-se Francesco, giullare di Dio. Portanto, Fellini trazia consigo um pouco de espírito franciscano: esse amor pelas criaturas simples, pelos pobres, pela natureza, Fellini trazia consigo também a partir dessa escola. Eu acredito que uma veia de franciscanismo pode ser captada em todo aquele filão do cinema italiano daquele período".

Em 1960, lembra a Rádio Vaticano, a estreia de La dolce vita pôs o mundo católico contra Fellini: depois, foi um artigo do padre Fantuzzi na Civiltà Cattolica que reconheceu o pano de fundo católico do diretor.

"O mundo católico – lembra agora o jesuíta – ficou dividido: alguns eram contra Fellini, e outros eram a favor. Por exemplo, o padre Baraghi, meu antecessor na Civiltà Cattolica, era violentamente contrário, e houve intervenções do L'Osservatore Romano particularmente pesadas. Na época, eu era um jovem estudante, era muito próximo do padre Arpa [padre Angelo Arpa, o padre "de confiança" de Fellini] e eu pensava que os católicos intransigentes tinham cruzado a linha. Portanto, depois de muito tempo, quando eu cheguei à Civiltà Cattolica, eu comecei também a me ocupar de cinema, e Fellini ainda estava vivo. Eu pensei que Fellini tinha direito a uma espécie de ressarcimento e tentei fazer o meu melhor para reequilibrar um pouco a situação".