“Com Francisco haverá uma verdadeira revolução”, afirma o jesuíta Jaume Flaquer

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Por: André | 24 Setembro 2013

O jesuíta Jaume Flaquer, diretor da área teológica de Cristianismo y Justicia e colaborador de Migra Studium, assegura que com o Papa Francisco haverá “uma verdadeira revolução na Igreja”, com uma mudança de perspectiva que será “a mais radical desde João XXIII”.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 21-09-2013. A tradução é de André Langer.

Após a longa entrevista do Papa publicada pelas revistas dos jesuítas na qual este pede que a Igreja deixe de falar tanto do aborto, casamento homossexual e anticoncepcionais e se preocupe mais em curar as feridas, Flaquer prevê mudanças radicais na Igreja, em uma reflexão que publicou no blog de Cristianismo y Justicia.

“O Papa Francisco será uma verdadeira revolução na Igreja”, começa o jesuíta catalão, que confessa que para ele esta entrevista mostra que estamos “diante da mudança de perspectiva mais radical da Igreja desde João XXIII”.

Francisco põe um ponto final em todas as involuções da Igreja desde o Concílio Vaticano II aprofundando na vontade deste Concílio, realizado há 50 anos, de voltar ao puro Evangelho”, assinala o religioso.

“O Papa recupera aquilo que foi essencial para Jesus: a proximidade dos homens e mulheres feridos pela vida, desprezados pela sociedade e estigmatizados pela religião, e deixa em segundo plano a obsessão reiterativa da pregação eclesial por questões sexuais, morais, canônicas e litúrgicas”, destaca Flaquer.

Flaquer reproduz no blog parte da entrevista quando o Papa se refere à homossexualidade: “Certa vez uma pessoa, para me provocar, me perguntou se eu aprovava a homossexualidade. Eu, então, lhe respondi com outra pergunta: ‘Me diz, Deus, quando olha para uma pessoa homossexual, aprova sua existência com afeto ou a rechaça e a condena?’. Devemos sempre ter presente a pessoa. E aqui entramos no mistério do ser humano. Nesta vida Deus acompanha as pessoas e é nosso dever acompanhá-las a partir de sua condição”.

Destaca também as opiniões favoráveis do Papa ao reconhecimento de um papel preponderante da mulher na Igreja e seu medo do “machismo de saias”, isto é, de colocar as mulheres em cargos de responsabilidade que perpetuem a visão patriarcal.

Após qualificar a entrevista de “delícia”, o jesuíta catalão recomenda sua leitura porque “está cheia de imagens sugestivas”, como quando o Papa diz: “Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem o colesterol ou o açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas. Depois podemos falar do resto”.