Pedofilia: Vaticano remove e repatria bispo

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

10 Setembro 2013

Removido, sim. Mas repatriado a Roma e removido das autoridades judiciárias estrangeiras. A história do arcebispo polonês Josef Wesolowski, que representava a Igreja na República Dominicana, mas também em Porto Rico e no Haiti, corre o risco de levantar novas polêmicas sobre a atitude com a qual o Vaticano enfrenta os escândalos sexuais. De um lado, a mão forte, de outro, uma espécie de proteção.

A reportagem é de Ferruccio Sansa e Carlo Tecce, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 06-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma história longa, complexa. O último capítulo chegou quando as câmeras de uma televisão dominicana registraram o prelado passeando em um bairro onde se exerce a prostituição masculina, e então, além de uma nota enviada à Secretaria de Estado e os relatos insistentes de uma vida não exatamente casta e sóbria (às vezes, ele se excederia no álcool), Wesolowski foi chamado de novo urgentemente para Roma. E o Papa Francisco lhe removeu, imediatamente, os graus de núncio apostólico, para depois ordenar um processo canônico e uma investigação por abuso sexual e dano a menores.

A Santa Sé confirmou a punição papal decretada na quarta-feira à noite, embora o prelado se encontrasse em Roma há já alguns dias. Em paralelo, com extrema cautela, a magistratura dominicana iniciou uma investigação para apurar as acusações feitas contra o polonês que a rede contra a pedofilia de Francesco Zanardi quantifica em dezenas de episódios.

A consequência dessa intervenção papal, no entanto, evita o julgamento por parte da magistratura dominicana ao ex-núncio, porque entre os dois Estados não há acordos ou tratados internacionais, e agora a magistratura vaticano se pôs a trabalhar: no caso de ser julgado culpado no Caribe, ele nunca seria extraditado para cumprir a pena na prisão.

Entre República Dominicana, Porto Rico e Haiti, o escândalo chegou a proporções enormes, e a Igreja, mais uma vez, teve uma queda de popularidade e credibilidade. Mas há um pano de fundo que deve ser ilustrado para evidenciar a lentidão burocrática que impede que o pontífice, não pela sua própria vontade, puna esses comportamentos desprezíveis.

Há já três meses, em julho, o arcebispo de Santo Domingo (além de cardeal), Nicolás de Jesús López Rodríguez, tinha enviado à Cúria uma série de documentos, muito detalhados, que, segundo rumores, teriam colocado o polonês em apuros.

A Secretaria de Estado, depois de examinar os papéis, se dirigiu diretamente a Bergoglio (que, em visita a Santa Maria Maior, fez com que o cardeal Law fosse "expulso"). A resposta vaticana não foi imediata, e nem a remoção foi difundida para além da colunata de São Pedro. Até que as imagens de televisão deram uma sacudida no procedimento e se soube da punição de Francisco.

A "demissão" do Caribe tinha sido antecipada aos bispos no dia 21 de agosto com uma breve carta oficial. Anunciava-se a transferência, mas não os motivos. Durante algumas semanas, os monsenhores locais acreditaram que o problema fosse a péssima relação entre Wesolowski e o arcebispo de San Juan de Porto Rico, Roberto González Nieves.

Ignorava-se que o polonês tinha sido acusado de pedofilia. Uma chaga que o Papa Francisco, desde os primeiros discursos públicos, prometeu curar, sanar e talvez remover definitivamente.

As associações contra os sacerdotes pedófilos, como a de Zanardi, que há anos desmascara quem se esconde sob a batina, pedem que a justiça (terrena) se cumpra e que as eventuais condenações sejam aplicadas. Mas há o temor de que uma rápida convocação ao Vaticano sirva para cobrir e evitar as consequências legais.

Agora, o próximo passo cabe a Francisco.