"Desgraças previstas com as hidrelétricas no Tapajós começaram a dar sinais"

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Por: Cesar Sanson | 19 Agosto 2013

“As desgraças previstas com as hidroelétricas no Tapajós já começaram a dar sinais. A segurança e a paz das populações do Tapajós já não existem. E mais desgraças virão!”, escreve Edilberto Sena, padre, coordenador geral da Rádio Rural de Santarém, presidente da Rede Notícias da Amazônia – RNA e membro da Frente em Defesa da Amazônia.

Eis o artigo.

O filho do vice-prefeito de Jacareacanga foi encontrado morto com sinais de ter sido assassinado. O vice-prefeito lá é um Munduruku. Pode não ter relação com a tensa situação que vive a população da região, mas que tem algo a ver, não há dúvida.

O governo federal invadiu o município de Jacareacanga com 150 pesquisadores e um batalhão de soldados armados de fuzis e metralhadoras para impor hidrelétricas contra os direitos dos Munduruku e ribeirinhos do Tapajós. Há poucos dias o prefeito Raulian Queiroz usou e abusou do seu cargo para controlar e manipular uma assembleia de caciques Munduruku.

Conseguiu dividir aos caciques, iludindo que as barragens serão positivas para todos os moradores do Tapajós, inclusive os indígenas. O vice-prefeito Munduruku, estava ao lado do prefeito. Se uma parte dos caciques aceitou a ilusão do prefeito, outra parte deles, conscientes da desgraça prevista, não aceita a presença de soldados armados e helicópteros sobrevoando as aldeias ameaçadoramente. E não aceitam em hipótese alguma a destruição da floresta e rios com barragens.

Então, poucos dias depois da triste assembleia, morre assassinado, o filho do Munduruku vice-prefeito. Quem matou o rapaz? Foi algum colega intrigado? Foi uma bala de fuzil? Ainda não se sabe, só uma perícia séria e transparente iria fazer um diagnóstico correto, mas lá em Jacareacanga não há tal equipe de peritos.

Independente do resultado da perícia, essa morte do jovem Munduruku, filho do vice-prefeito, ligado ao prefeito que iludiu muitos caciques, dividindo as lideranças Munduruku, tem tudo a ver com a tensa situação provocada pela ditadura presidencial. As desgraças previstas com as hidroelétricas no Tapajós já começaram a dar sinais. A segurança e a paz das populações do Tapajós já não existem. E mais desgraças virão!

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