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01 Julho 2013

Nesta temporada de início de pontificado, é surpreendente como todos os dias o Papa Francisco parece dar novos estímulos a um renovado impulso da Igreja Católica. Nessa sexta-feira, ele se encontrou com uma delegação do Patriarcado Ortodoxo de Constantinopla, liderada pelo bispo e teólogo Ioannis Zizioulas, proferindo palavras não circunstanciais sobre o ecumenismo, comenta C. Albini, leigo católico italiano, cientista social e teólogo, no seu blog Sperare per Tutti, 28-06-2013, ao reproduzir o discurso do Papa Francisco, saudando a delegação da Igreja Ortodoxa que está em Roma para a festa de São Pedro e São Paulo.  A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o discurso.

De Sua Santidade Bartolomeu I, eu lembro com fraterno afeto também o gesto de requintada atenção com relação a mim, quando quis me honrar com a sua presença na celebração de início do meu ministério de bispo de Roma. Sou vivamente grato também a Vossa Eminência, pela sua participação naquele evento e me alegre em revê-lo nesta circunstância.

A busca da unidade entre os cristãos é uma urgência – o senhor disse "it is not a luxury, but an imperative" [não é um luxo, mas sim um imperativo] –, uma urgência à qual, hoje mais do que nunca, não podemos nos isentar. No nosso mundo faminto e sedento de verdade, de amor, de esperança, de paz e de unidade, é importante para o nosso próprio testemunho poder finalmente anunciar a uma só voz a alegre notícia do Evangelho e celebrar juntos os Divinos Mistérios da nova vida em Cristo! Nós sabemos bem que a unidade é primariamente um dom de Deus para o qual devemos rezar incessantemente, mas cabe a todos nós a tarefa de preparar as condições, de cultivar o terreno do coração, para que essa extraordinária graça seja acolhida.

Uma contribuição fundamental para a busca da plena comunhão entre católicos e ortodoxos é oferecido pela Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico, copresidida por Vossa Eminência, Metropolita Ioannis, e pelo Venerável Irmão, o cardeal Kurt Koch. Agradeço-lhes sinceramente pelo vosso precioso e incansável empenho. Essa Comissão já produziu muitos textos comuns e agora estuda a delicada questão da relação teológica e eclesiológica entre primado e sinodalidade na vida da Igreja.

É significativo que hoje consigamos refletir juntos, na verdade e na caridade, sobre essas temáticas, começando pelo que nos reúne, sem, contudo, esconder o que ainda nos separa. Não se trata de um mero exercício teórico, mas sim de conhecer a fundo as tradições recíprocas para compreendê-las e, às vezes, também de aprender com elas.

Refiro-me, por exemplo, à reflexão da Igreja Católica sobre o sentido da colegialidade episcopal e à tradição da sinodalidade, tão típica das Igrejas Ortodoxas. Estou confiante de que o esforço de reflexão comum, tão complexo e laborioso, dará frutos a seu tempo.

Conforto-me em saber que católicos e ortodoxos compartilham a mesma concepção de diálogo que não busca um minimalismo teológico para se alcançar um compromisso, mas se baseia, ao contrário, no aprofundamento da única verdade que Cristo deu à Sua Igreja e que nunca cessamos de compreender melhor, movidos pelo Espírito Santo.

Por isso, não devemos ter medo do encontro e do verdadeiro diálogo. Ele não nos afasta da verdade; ao contrário, através de uma troca de dons, conduz-nos, sob a orientação do Espírito da verdade, a toda a verdade (cf. Jo 16, 13).