''É preciso ir contra a corrente'': Francisco e a cadeira vazia

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25 Junho 2013

"Recordem-se bem: não tenham medo de ir contra a corrente". Quando terminou de ler o Ângelus, Francisco exclamou de improviso: "Sejam corajosos! E assim como nós não queremos comer uma refeição que saiu mal, não levemos conosco os valores avariados que arruínam a vida e tiram a esperança. Avante!". O papa se dirige principalmente aos jovens que, em um mês, ele irá encontrar na Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro – e quem sabe quantos deles estão se manifestando nestes dias no Brasil –, aqueles jovens aos quais ele exortou, mais de uma vez, a "apostar nos grandes ideais".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 24-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os "valores avariados" a serem rejeitados são aqueles de quem "cede ao espírito do mundo" e que Francisco não se cansa de denunciar em benefício de todos, principalmente da Igreja: vaidade, poder, dinheiro, carreirismo. E, após o gesto do pontífice, a escolha de desertar o concerto na Sala Paulo VI para continuar trabalhando em Santa Marta, a sua referência aos "homens retos" que preferem "ir contra a corrente para não renegar a voz de consciência, a voz da verdade" chama ainda mais a atenção.

A música em si não tem nada a ver, obviamente, até porque o próprio Bergoglio contava que, quando criança, ouvia ópera italiana com a mãe e ainda hoje liga o rádio "para ouvir música clássica". Em Santa Marta, ele trouxe consigo CDs: o seu preferido é justamente Beethoven, "a ouverture Leonore No. 3".

Do outro lado do Tibre, ao contrário, há quem leia aquela poltrona vazia como um sinal de independência e de força, em vista das nomeações que mudarão o rosto da Cúria. O papa que renunciou às férias continua trabalhando sem distrações. Se ele sai, é por motivos pastorais, como nesse domingo para o "trem das crianças".

É como com a cruz peitoral de ferro; agora já não se veem mais cardeais que usam cruzes de ouro: Francisco procede sobretudo com o exemplo. Certamente, no sábado, ele ficou falando com os núncios que foram ao Vaticano, e isso também é um sinal. A colegialidade é um ponto central da sua reforma: é provável que ele sondou o terreno para a nomeação (fala-se do cardeal Giuseppe Bertello, da escola diplomática) do próximo secretário de Estado.

Tensão e nervosismo na Cúria são evidentes, assim como a desorientação de sábado. No fim, todos sentimos, o papa decidirá sozinho. Nesse domingo, ele falava aos diplomatas sobre a "escolha radical" de quem segue Jesus, "na lógica do tudo ou nada". E o critério que Francisco irá seguir está todo nas indicações dessa sexta-feira aos núncios para a seleção dos candidatos a bispos: "Pastores próximos das pessoas. Mansos, pacientes e misericordiosos. Que amem a pobreza interior como liberdade para o Senhor e também exterior como simplicidade e austeridade de vida. E que não tenham uma psicologia de príncipes: fiquem atentos para que eles não sejam ambiciosos e não busquem o episcopado".