Honrarias e escândalos: ''Gentis-Homens de Sua Santidade'' nunca mais

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24 Junho 2013

Chega de Gentis-Homens de Sua Santidade. Chega dessa honraria, que, sem um procedimento pré-estabelecido e de modo totalmente discricionário, dá a honra de servir ao papa quando este recebe os chefes de Estado e de governo, de fraque, com o particular colete preto e o colar de ouro com as cruzes de São Pedro.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada no jornal Corriere della Sera, 22-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ao longo dos anos, de fato, aos herdeiros das históricas famílias nobres romanas, acrescentou-se de tudo àquilo que é considerado "o clube mais exclusivo do mundo". O Papa Francisco foi claro, não quer saber disso. Francisco considera essas "honrarias arcaicas, inúteis" e, pior, "prejudiciais". Porque, em alguns recentes escândalos, estavam envolvidos Gentis-Homens que, depois, inevitavelmente, arrastaram até o pontífice para o noticiário.

Aquela que, no papel, é a maior honraria concedida atualmente pela Santa Sé a um leigo católico, de fato, também dá o privilégio de ter uma conta no IOR, o Instituto para as Obras de Religião. E são sempre histórias complicadas de dinheiro que, de uma forma ou de outra, começam e terminam no Torreão de Nicolau V, a sede do chamado Banco do Vaticano, envolvendo recentemente os Gentis-Homens.

Quem não se lembra da investigação sobre a "corja" e Angelo Balducci, ex-administrador das Obras Públicas? Pois bem, Balducci era um Gentil-Homem do papa.

Até o último caso – que transbordou o copo – a prisão, há uma semana, no dia 14 de junho, do prefeito Francesco La Motta, ex (até poucos meses atrás) número dois do AISI, o serviço secreto "interno "italiano, cujo nome foi recém-reimpresso na página 2.115 do novo Anuário Pontifício 2013, que foi publicado em maio, com a nomeação de Francisco e a locução de "Sumo Pontífice Emérito" para Bento XVI. Nele se lê: "La Motta, Francesco. Gentil-Homem de Sua Santidade, desde 29 de junho de 2007". Aqui a acusação da magistratura fala de 10 milhões de euros do Fundo do Culto do Ministério do Interior, que "desapareceram" e acabaram sabe-se lá onde e que talvez passaram por diversas contas.

Nos últimos anos, entre os Gentis-Homens, esteve Umberto Ortolani, condenado pela falência do banco Ambrosiano, de Calvi, ou o arquiteto Adolfo Salabé, famoso pelo escândalo do Sisde [Serviço de Informação e Segurança Democrática da Itália]. A honraria também foi concedida a Herbert Batliner, financista de Liechtenstein, envolvido e depois absolvido em uma grande investigação alemã por evasão fiscal, considerado como um superespecialista em empresas fiduciárias (em 2006, em Regensburg, ele presenteou Ratzinger com um órgão no valor de 750 mil euros).

O IOR está novamente sob a lupa também por causa das investigações pela acusação de lavagem de dinheiro por parte da Procuradoria de Salerno com relação ao Mons. Nunzio Scarano, responsável pelo serviço de contabilidade analítica da seção extraordinária da APSA [Administração do Patrimônio da Santa Sé] (notícias do dia 14 de junho). Presidida pelo cardeal Domenico Calcagno, a APSA funciona como banco central. A seção extraordinária (lida com títulos, ações e geralmente bens móveis) foi confiada a Paolo Mennini, filho de Luigi (administrador do IOR nos tempos de Marcinkus), chefe de Scarano.

Nos últimos dias, a UIF (Unidade de Inteligência Financeira) do Banco da Itália solicitou informações detalhadas à AIF vaticana, dirigida por René Bruhelart, sobre os movimentos da conta detida por Mons. Scarano no IOR e sobre a sua atividade na APSA (de cujo cargo ele foi suspenso). De fato, nenhuma anomalia havia sido relatada pelo sistema AML/FCT (antilavagem de dinheiro) vaticano.