Aquele vínculo profundo entre a revista Communio e Ratzinger

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18 Mai 2013

"Embora há muito tempo eu não faça mais parte da redação, mas sou apenas um leitor, sinto-me, contudo, unido por toda a vida a essa organização desde a sua fundação". Com essa singular expressão Bento XVI declarava o seu vínculo profundo com a Revista Teológica Communio (nascida em 1972 a partir de uma intuição do teólogo suíço Hans Urs von Balthasar), enviando uma carta (no início de 2012) ao professor Jan-Heiner Tück, diretor da edição alemã da Revista Católica Internacional Communio, por ocasião do 40º aniversário de fundação nas duas edições em língua italiana e alemã.

A reportagem é de Michelangelo Nasca, publicada no sítio Vatican Insider, 16-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Repropomos agora essa carta – escreve o Pe. Aldino Cazzago, diretor da Communio italiana, publicada pela Jaca Book – em reconhecimento ao papa que renunciou ao serviço petrino em um gesto de amor extremo pela Igreja. [...] À Communio, ele deixa o dom do seu testemunho corajoso, da sua amizade e da sua paternidade, juntamente com o convite a tocar na luz que vem da palavra da Escritura recebida pela tradição viva da Igreja, a transmiti-la aos leitores não em uma repetição cansada, mas sim em uma riqueza e pluralidade capazes de alcançar os diversos âmbitos da vida, de vivificar o compromisso do cristão no mundo".

O Papa Ratzinger, no texto da sua carta, lembra a amizade com Hans Urs von Balthasar, Henri de Lubac, Loui Bouyer, Marie-Joseph Le Guillou e outros teólogos pertencentes à Comissão Teológica Internacional, que em 1969, em sua reunião anual, ao tentar relacionar o trabalho dos teólogos com a obra do Magistério, pensaram em realizar uma revista internacional

"Estávamos – explica Bento XVI – justamente no meio da dramaticidade dos anos de 1968, em que parecia não haver mais nenhuma medida, que tudo estava à disposição, que se devia refazer o mundo, em geral, e com ele a Igreja de cima a baixo. Já nessas conversas, nos ficou claro que a internacionalidade – ou, melhor, a catolicidade – não podia significar uniformidade. Embora o tsunami dos anos de 1968 investissem contra todo o Ocidente, as situações culturais concretas eram muito diferentes".

Três eram os pilares da teologia daqueles anos: Balthasar, De Lubac e Ratzinger. A revista que estava prestes a nascer queria olhar – com novas modalidades – "para além das fronteiras particulares da teologia, impulsionando-nos aos âmbitos essenciais da existência humana, em que a fé se concretiza".

"A ideia perseguida por nós – continua o Papa Ratzinger –, particularmente por insistência de Franz Greiner, era a de fazer uma revista que não se limitasse ao seu envio a um círculo anônimo de leitores. Queríamos constituir nas localidades maiores grupos da Communio. Eles deveriam, de um lado, discutir a revista e pô-la em uma relação eficaz com os seus âmbitos de vida; de outro, ser para nós uma fonte de inspiração e nos ajudar no debate com a realidade em que eles se moviam. Devia ser uma troca vital, de modo que não fôssemos só nós que falássemos aos nossos leitores, mas que estes também falassem a nós, e nesse diálogo se alcançasse, de vez em quando, a sua realidade".

O Papa Bento XVI volta ao passado e constata com grata satisfação que a semente da Communio não se perdeu: "Aquilo que então nos movia profundamente era a paixão pela fé, que ameaçava ser sepultada sob os moralismos e as aventuras intelectuais. Ao mesmo tempo, sabíamos que é precisamente essa a força capaz de realmente gerar o futuro".

É possível realizar hoje também tal diálogo entre leitores e ouvintes? Publicar uma revista de âmbito puramente intelectual e transformá-la em uma força capaz de moldar a vida eclesial? Esses são os desafios que a Communio é chamada a aceitar e aos quais o próprio Ratzinger se referiu na sua carta.

"Há alguns anos – declara a esse respeito o Pe. Aldino Cazzago – os responsáveis da Communio estão comprometidos em entrar em diálogo com os leitores, a se deixar estimular por eles em uma troca de doutrina e de sabedoria, de visão cristã do mundo que entra em movimento a partir do centro comum, lá onde na liturgia se celebra a oferta sacrificial do Senhor morto e ressuscitado e por obra do Espírito Santo assunto ao céu, onde está sentado à direita do Pai e prepara uma morada para todos aqueles que não se fecham ao seu amor".

O texto da carta de Bento XVI foi publicado na edição n. 235 da revista Communio, publicada pela Jaca Book e atualmente nas bancas.

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