“Francisco quer impulsionar o ecumenismo e mudar o rosto da Cúria romana”

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Por: André | 04 Abril 2013

“Para os franciscanos, a eleição de Francisco é uma grande alegria e um grande desafio”. José Rodríguez Carballo, ministro geral da Ordem Franciscana, defende que a eleição de Bergoglio como novo Papa representa um apelo para “levar a Igreja a ser mais pobre, mais simples, a estar mais próxima das pessoas”.

Nesta entrevista ao Religión Digital durante a sua passagem por Madri por ocasião da 42ª Semana Nacional da Vida Religiosa, Carballo defendeu que o Pontífice “quer mudar o rosto da Cúria”, assim como “impulsionar o ecumenismo e o diálogo com o homem e a mulher de hoje”, e afirma que Francisco “é uma pessoa muito próxima, que escuta, e muito profunda. Vai ao essencial. E isso se agradece neste momento”.

A entrevista é de Jesús Bastante e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 04-04-2013. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

É um momento muito interessante para a Igreja e para a ordem franciscana, com um Papa jesuíta, que adotou o nome de São Francisco de Assis. Como os franciscanos recebem este fato?

Sobretudo, com muita alegria. Para nós foi uma surpresa muito grata. Não esperávamos isso, mesmo brincando dizíamos, algumas vezes, que o próximo Papa se chamaria Francisco. Mas eu penso que ninguém acreditava nisso. E unida a esta grande alegria, para nós é um desafio.

Em que sentido?

Enquanto que para nós o fato de que se fale tanto de São Francisco está pedindo de nós, como digo muitas vezes aos nossos freis, que não vivamos tanto de Francisco, mas como Francisco. Então, questiona nossa vida, nosso estilo de vida, nossa abertura ao mundo, nosso estar com as pessoas, a dimensão fraterna do nosso carisma. Eu vivo este momento como um grande desafio, e com enormes possibilidades para revisitar a nossa própria identidade de irmãos menores. E estou convencido de que o Papa vai nos ajudar nisso.

E também a própria Igreja a recuperar um aspecto que de fora parece um pouco perdido, que é esse convite para construir uma Igreja pobre e para os pobres. Francisco parece que está se empenhando muito em deixar clara esta postura...

Isto nos demonstra também que o nome de Francisco não foi uma escolha casual. Mas que, com este nome, o Papa quer levar a Igreja a ser mais pobre, a ser mais simples, a estar mais próxima das pessoas. Isto não quer dizer que na Igreja não tenha havido e não haja neste momento sacerdotes, religiosos, bispos, cardeais, fiéis... que vivam todos estes valores. Mas talvez as estruturas que temos nem sempre nos levam a mostrar este rosto particular da Igreja que Francisco quer.

E o que está nos aguardando?

Sem dúvida, iremos nos deparar com o que o Espírito neste momento nos sugere, sopra e quer da Igreja. Porque estou convencido de que o Espírito nos deu o Papa que neste momento a Igreja e o mundo necessitam.

Ao contrário de outras ocasiões, “o mundo” recebeu com descomunal unanimidade favorável a eleição de Francisco e seus primeiros gestos...

Bom, é que são gestos que cativam. E, sobretudo, cativa o fato de que os faz com maturidade. Quer dizer: não os faz porque é Papa. É que estes são os gestos que ele vivia, e que ele fazia quando era arcebispo de Buenos Aires. São naturais e é isto o que realmente cativa e chama a atenção. Não é teatro, mas uma forma de vida, que depois se manifesta em alguns gestos.

Teve oportunidade de falar com ele depois da sua eleição?

Eu já o conhecia antes, nos encontramos muitas vezes, e sim, tive ocasião de falar com ele já como Papa. Tive a felicidade de concelebrar com ele no dia 19 de março, no dia em que iniciava o ministério petrino, e depois ele me recebeu em audiência privada. Portanto, tive oportunidade de falar com ele, e tenho que dizer o que disse referindo-me aos encontros anteriores, quando era cardeal. Me dá a impressão de ter diante de mim um irmão, um amigo e um companheiro de sempre. Realmente, é uma pessoa muito próxima, que escuta, e muito profunda, vai ao essencial. E isso se agradece neste momento.