Incoerente, governo federal dá prêmios de direitos humanos

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20 Dezembro 2012

"Antes de ler a declaração da Presidente da Repúlica, na entrega do prêmio de direitos humanos refleti sobre o ato e o teatro da premiação, como está abaixo. Mas ao ler o artigo saído hoje no Ihu, só me confirmou o escrito antes. Basta citar um trecho de sua declaração para ter certeza de que não andei longe da verdade. Veja: "Nesta terça-feira, 17 de dezembro, durante solenidade no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF), a presidente Dilma Rousseff declarou que a defesa dos direitos humanos é um assunto importante não apenas para seu governo, mas uma preocupação pessoal, por ser parte de uma geração que teve a liberdade restrita pelo Estado. “O assunto, além de ser importante nacionalmente, me comove porque a minha geração sentiu na carne o abuso de poder, a truculência do Estado, e sabe como é importante, fundamental, o respeito pelos direitos humanos e, mais do que isso, sabe que esse é o pilar fundamental de uma sociedade”, disse Dilma em discurso durante a entrega do 18º Prêmio Direitos Humanos", escreve Edilberto Sena, padre, membro da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Santarém, PA, ao enviar o artigo que publicou em Santarém-PA, 17-12-2012.

Eis o artigo.

Diz um ditado, que quem vê cara não vê coração. É verdade, muitas vezes a cara expressa uma coisa, mas o coração tem outra atitude. A isto se dá o nome de incoerência. É o que revela o atual Governo Federal. Vai dar prêmios de Direitos Humanos a pessoas que dedicaram a vida a defender os direitos oprimidos da sociedade.

Entre estes, dois bispos de reconhecida coerência de vida a serviço dos povos indígenas, Dom Pedro Casaldáliga e Dom Tomás Balduíno. Onde está a incoerência da hipócrita Secretaria da Presidência Especial de Direitos Humanos da Presidência da República?

É que essa premiação a dois bispos, realmente defensores dos direitos indígenas, é uma forma de o governo iludir a população de que ele se preocupa com os direitos humanos dos povos indígenas. Mas na realidade o governo abandona e até persegue os povos indígenas na Amazônia.

Tanto é que no Estado do Amazonas estão morrendo dezenas de índios por causa da malária e a falta de assistência médica da Funasa; No rio Teles Pires a polícia Federal do governo matou índio, invadiu aldeia apavorando os índios Munduruku e até agora não foi punida. O governo acoberta a insanidade de sua polícia federal; em Mato Grosso do Sul durante anos, o governo se omitiu diante do massacre dos índios Gurarani e só agora depois de pressão dos índios e dos meios de comunicação é que  as autoridades iniciaram uma tímida defesa dos Guarani.

Já em Itaituba a própria Fundação Nacional do Índio, FUNAI, veio de Brasília tentar convencer os índios Mundurukus de que devem se conformar que o governo vai destruir o rio Tapajós, que é vida dos índios e dos ribeirinhos. Ela gastou bastante saliva e argumentos frívolos para amansar os munduruku, que conscientes da desgraça repetiram que não aceitam barragens em seus rios. A representante da Funai, diante de seu superior da Eletrobrás, ameaçou os índios dizendo que se eles endurecessem o governo irá manar a força nacional , mas que as hidroelétricas no Tapajós têm que sair.,

E assim por diante, com uma mão o governo afaga os defensores dos Direitos Humanos e com outra, massacra os direitos de povos inteiros. A isto se dá o nome de hipocrisia. Esta é uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento do Brasil. Só quem pode mudar essa estratégia de massacres é o próprio povo se organizando e resistindo, como estão decididos os Munduruku.