Declínio da indústria pode travar distribuição de renda

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21 Novembro 2012

A trajetória declinante da indústria de transformação no Brasil, que se arrasta desde o início da década de 80, pode travar o avanço do processo de distribuição de renda, caracterizado pela transferência de amplos contingentes de pobres para a baixa classe média nos últimos nove anos.

A reportagem é de Vera Saavedra Durão e publicada pelo jornal Valor, 21-11-2012.

O alerta é do jovem economista Leandro Horie, que trata do tema em tese de mestrado apresentada no Instituto de Economia (IE) da Unicamp, sob orientação do professor Waldir Quadros. No estudo, Horie defende a necessidade de a indústria de transformação voltar ao papel de protagonista da economia nacional, para garantir crescimento sustentável ao movimento de mobilidade social dos brasileiros. Para o economista, a promoção de trabalhadores "miseráveis" para a "baixa classe média" já teria atingido o limite nas condições atuais do mercado de trabalho.

"Desde 2004, houve forte movimento de geração de postos de trabalho. O que me intrigava é que, apesar da melhoria de indicadores como os de desemprego e da renda, o nível de precarização do mercado de trabalho ainda persiste, com elevada taxa de rotatividade e informalidade, ainda que essa tenha caído", disse o economista. "Além disso, a geração de emprego se concentrou em ocupações de até dois salários mínimos."

Para Horie, a indústria tem que ser direcionada para atividades de maior intensidade tecnológica e de diversificação, para gerar mais demanda de serviço e permitir a criação de empregos qualificados, para que os mais pobres continuem avançando socialmente.

Na tese, o economista adotou a estratificação por classes proposta por seu orientador: alta classe média, média classe média, baixa classe média, massa trabalhadora e miseráveis, segundo a ocupação de cada uma delas. Na alta classe média, estão profissionais autônomos - como médicos, dentistas, advogados -, e na base, trabalhadores não remunerados entre os quais os miseráveis.

Horie baseou a pesquisa da estratificação social brasileira na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, nos anos de 1981, 1995, 2004 e 2009, Isso inclui desde o período de grande crescimento sem inclusão social, e até recessão, na ditadura; a abertura econômica e o Plano Real, com fim da hiperinflação, até a retomada do crescimento no segundo governo Lula.

A conclusão é que o setor industrial do Brasil ainda é de baixa densidade tecnológica, tendência herdada da recessão dos anos 80 e agravada nos anos 90 com a abertura abrupta da economia e a valorização cambial.

Dados da Pnad 1981 usados no estudo realçam a relevância do emprego industrial na alta e média classe média naquela época, que envolvia conhecimento tecnológico. Porém, com a queda da indústria, Horie observa que o setor público é hoje uma opção para esses estratos sociais e responde por contingente importante da alta classe média.

O total de pessoas da média classe média empregada na indústria também caiu, tendo sido compensada com o aumento da prestação de serviços às empresas - derivados da terceirização dos anos 90- e com mais empregos no comércio. A massa trabalhadora cresceu entre 2004 e 2009, devido à ascensão de boa parte dos ocupados "miseráveis".

A política econômica de abertura dos anos 90, que favoreceu as importações, levou a um crescimento do emprego industrial em torno de setores de menor intensidade tecnológica e mais intensivos em trabalho. "São setores que pagam salários menores e que têm uma demanda por qualificação também menor", afirma Horie.

Com a oferta de emprego mais restrita, houve um deslocamento da mão de obra para o comércio e os serviços. Mesmo o crescimento econômico recente, a partir de 2004, não foi suficiente para modificar essa tendência.

A importância da indústria como motor da economia, segundo Horie, está no tipo de emprego que gera e nos seus desdobramentos em outros setores. "É o único setor da economia que pode crescer dentro dele mesmo", diz.

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