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09 Novembro 2012

Bento XVI enviou uma mensagem a Obama, pedindo a Deus "para que o assista nas suas altíssimas responsabilidades diante do país e da comunidade internacional" e para que "os ideais de liberdade e justiça" que guiaram os pais fundadores "continuem resplandecendo no caminho da nação". O porta-voz, padre Federico Lombardi, acrescentou os votos para que o presidente "possa servir ao direito e à justiça" no "respeito dos valores humanos e espirituais essenciais, na promoção da cultura da vida e da liberdade religiosa". Indicações não casuais, já que, nos últimos meses, justamente sobre esses temas, haviam chegado a Obama as críticas ardentes da nova liderança dos bispos dos EUA de nomeação ratzingeriana.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 08-11-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A atitude da Santa Sé parece muito mais cauteloso do que em novembro de 2008. À época, recém-eleito Obama, o L'Osservatore Romano trazia a manchete: "Uma escolha que une". O jornal vaticano, acusado pelos prelados norte-americanos de excesso de entusiasmo, hoje enfatiza que "a onda de esperança em uma mudança radical surgida há quatro anos já se esgotou".

Nos Sagrados Palácios, habita uma patrulha de prelados norte-americanos que esperavam a vitória de Mitt Romney: o cardeal Raymond Burke, prefeito da Signatura, conhecido pelas suas posições contrárias a Obama; o assessor da Secretaria de Estado, Brian Peter Wells, e o prefeito da Casa Pontifícia, James Harvey. Outros dois purpurados curiais já aposentados, Bernard Law e James Stafford, também são contrários.

Com Obama, o Vaticano tem muitas afinidades na política internacional: a luta contra a pobreza, o diálogo com o Islã, a busca de soluções diplomáticas para as crises na Síria e no Irã e a questão palestina, a gestão da imigração. Mas, para Bento XVI e seus colaboradores na Secretaria de Estado, continua imprescindível a referência aos valores "inegociáveis".

Não por acaso, recebendo-o em julho de 2009, Ratzinger deu a Obama uma cópia da instrução Dignitas Personae, dedicada à bioética e à dignidade a ser reconhecida a cada ser humano desde a concepção.

A Igreja norte-americana, com o apoio papal, entrou em campo de forma maciça. O cardeal Timothy Dolan, de Nova York, definiu como "irresponsável" a decisão de tornar obrigatório também para as associações religiosas o seguro-saúde para os funcionários, que inclui o reembolso para a contracepção e o aborto. O cardeal Francis George, de Chicago, convidou o clero a "instruir" os fiéis na véspera da votação. O bispo Daniel Jenky pediu que os padres lessem do púlpito uma carta anti-Obama, enquanto o arcebispo de Baltimore, William E. Lori, rotulou a reforma da saúde como uma "ameaça à liberdade religiosa".

Uma batalha que encontrou acolhida também na Europa, como a da Fundação João Paulo II para o Magistério Social, presidida pelo bispo de San Marino, Luigi Negri, que divulgou uma nota desejando que o povo norte-americano "não se arrependa" da escolha.