05 Novembro 2012
Quarenta e três sacerdotes seculares e religiosos da diocese da cidade de Augsburgo, situada no sul do estado da Baviera, na Alemanha, publicam um manifesto que chama a atenção para a lentidão da reforma da Igreja e busca o diálogo com as comunidades eclesiais e a população para uma renovação efetiva da Igreja.
A carta nos foi enviada por Paulo Suess, teólogo, e traduzida por Martin Sander.
Eis o manifesto.
Exmo. Sr. Bispo:
Quarenta e três sacerdotes seculares e religiosos de nossa diocese se reuniram na Iniciativa de Sacerdotes de Augsburgo. Como muitos outros cristãos, não nos preocupa apenas a aflitiva crise da Igreja na Europa central, mas também a lentidão das reformas na Igreja, que se agrava cada vez mais e faz com que muitas pessoas sofram com isso. Nossa declaração visa animar as pessoas que praticamente não se sentem mais enraizadas na forma atual da Igreja.
Não estamos acusando ninguém. Pretendemos, isto sim, contribuir com nossas experiências para o grande processo de diálogo da Igreja na Alemanha. Queremos dar voz a diversos interesses por reformas que, em parte, foram e estão sendo adiadas ou postas de lado há décadas.
Tomamos conhecimento, com muita atenção, de sua carta de 25 de setembro de 2012 dirigida a todos os sacerdotes. Sentimo-nos compreendidos em muitos aspectos e somos gratos pela proposta de diálogo que o senhor fez várias vezes nessa carta e que aceitamos de bom grado.
A Declaração apensa a esta carta será encaminhada à imprensa a partir de hoje à noite".
Eis a declaração
"Em meio às mudanças marcantes que estão ocorrendo na atualidade, nós sacerdotes nos vemos colocados diante de novos e grandes desafios em nosso serviço da liturgia e pregação, bem como da diaconia e direção das comunidades.
Há 50 anos, o Concílio Vaticano II deu resposta a uma nova situação das pessoas e o impulso para renovar sempre a Igreja no espírito do evangelho de Jesus Cristo. Para nós, esse impulso representa um legado e compromisso teológico.
Nesses 50 anos, interesses por reformas teologicamente bem fundamentas e necessárias a partir dos sinais dos tempos foram rejeitados por bispos e pela Cúria Romana. A renovação recusada traz descrédito para nossa pregação.
O Concílio visava à realidade de vida das pessoas. A falta de estruturas sinodais fez com que aumentasse o abismo entre o magistério e a realidade vivida em nossas comunidades.
Isso nos desafia a – guiados pela misericórdia e benevolência do redentor Jesus – agir assumindo responsabilidade própria, por exemplo, quando damos a comunhão a pessoas divorciadas que voltaram a se casar e elas atuam em nossas comunidades, ou quando casais formados por duas pessoas de confissões cristãs diferentes são convidados a receber a eucaristia entre nós.
A carência de sacerdotes leva muitas dioceses a planejar pastorais que abrangem áreas geográficas grandes. Gostaríamos de lembrar que, ainda assim, precisamos de uma “pastoral da proximidade” e que podemos aprender de comunidades vivas na igreja universal. Para isso se faz necessário, entre nós, um fortalecimento da autonomia e competência de colaboradores leigos voluntários e em tempo integral e de diáconos, bem como uma diversidade de formas de culto e de comunidade.
Nós nos congregamos na Iniciativa de Sacerdotes para nos fortalecer mutuamente, animar e complementar numa pastoral orientada pelo futuro.
Sentimo-nos ligados ao povo de Deus na Diocese de Augsburgo, com suas comunidades e organizações e com os grupos profissionais dos colaboradores pastorais.
Assumimos corresponsabilidade acompanhando de maneira leal e crítica decisões tomadas no nível da diocese e da Igreja universal.
Praticamos solidariedade entre nós e com iniciativas de sacerdotes que surgiram no âmbito da língua alemã e em nível internacional.
Cordialmente,
Fritz Kahnert
Dr. Michael Mayr
Michael Saurler
Augsburgo, 18 de outubro de 2012