Entre vocês não deverá ser assim

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Outubro 2012

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 10,35-45 que corresponde ao 29º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

Enquanto sobem a Jerusalém, Jesus vai anunciando aos seus discípulos o destino doloroso que o espera na capital. Os discípulos não o entendem. Andam a disputar entre si os primeiros lugares. Tiago e João, discípulos da primeira hora, aproximam-se dele para pedir-lhe diretamente para se sentarem um dia “um à tua direita e outro à tua esquerda”.

Jesus vê-se desalentado: “Vocês não sabem o que estão pedindo”. Ninguém no grupo parece entender que segui-lo de perto, colaborando em seu projeto, sempre será um caminho não de poder e grandeza, mas de sacrifício e cruz.

Entretanto, ao darem-se de conta do atrevimento de Tiago e João, os outros dez indignam-se. O grupo está mais agitado que nunca. A ambição os divide. Jesus reúne-os a todos para deixar claro o seu pensamento.

Antes de tudo, expõe o que acontece nos povos do império romano. Todos conhecem os abusos de Antipas e das famílias herodianas na Galileia. Jesus resume assim: Os que são reconhecidos como chefes utilizam o seu poder para tiranizar os povos, e os grandes não fazem outra coisa senão oprimir os seus súbditos. Jesus não pode ser mais taxativo: “Mas, entre vocês não deverá ser assim”.

Não quer ver entre os seus nada de parecido: “Quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês, e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos”. Na sua comunidade não haverá lugar para o poder que oprime, só para o serviço que ajuda. Jesus não quer chefes sentados à sua direita e esquerda, mas sim servidores como ele, que dão a sua vida pelos outros.

Jesus deixa as coisas claras. A sua Igreja não se constrói pela imposição dos de cima, mas desde o serviço dos que se colocam abaixo. Não cabe nela hierarquia alguma por honra ou domínio. Tampouco métodos e estratégias de poder. É o serviço o que constrói a comunidade cristã.

Jesus dá tanta importância ao que diz que se coloca a si mesmo como exemplo, pois não veio ao mundo para exigir que o sirvam, mas “para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos”. Jesus não ensina ninguém a triunfar na Igreja, mas a servir o projeto do reino de Deus dando a vida pelos mais débeis e necessitados.

Os ensinamentos de Jesus não são só para os dirigentes. A partir de tarefas e responsabilidades diferentes, temos de nos comprometer todos a viver com mais entrega ao serviço do seu projeto. Não necessitamos na Igreja de imitadores de Tiago e João, mas de seguidores fiéis de Jesus. Os que queiram ser importantes, que se coloquem a trabalhar e a colaborar.