Empresários que apoiaram a tortura serão investigados

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25 Setembro 2012

A Comissão da Verdade anuncia que está abrindo nova linha de investigação: a-lém de apurar os responsáveis por torturas, desaparecimentos e assassinatos, investigará também empresários que financiaram os crimes durante a ditadura militar.

"Estamos em cima dos que deram dinheiro para a Oban [Operação Bandeirante, que coordenava a repressão]", disse ontem o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias em um encontro em sua casa com outros três integrantes da comissão - Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Maria Cardoso Cunha.

A reportagem é de Mônica Bergamo e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 25-09-2012.

Dias fez um paralelo do suporte empresarial à ditadura com o escândalo de corrupção que levou à queda de Fernando Collor em 1992. "PC Farias [tesoureiro de campanha de Collor] tinha uma empresa, a EPC, que fingia que prestava consultoria e emitia notas fiscais frias a empresários que davam dinheiro a ele. Descobrimos uma consultoria fictícia que fazia a mesma coisa na ditadura: fornecia notas fiscais de 'assessoria econômica' a empresas que davam dinheiro à repressão."

O advogado revelou o nome da consultoria: CIA. Mas afirmou que, por ora, não apontará os responsáveis por ela: "Isso eu não posso dizer".

Os integrantes da comissão revelaram que estão tendo dificuldades para acessar documentos oficiais que poderiam esclarecer crimes. O principal obstáculo estaria no Ministério da Defesa: apesar do apoio do ministro Celso Amorim aos trabalhos do grupo, militares sob seu comando se recusariam a colaborar.

"Buscamos documentos, e eles dizem que foram incinerados", diz José Carlos Dias.

"Essas incinerações são ilegais", diz Pinheiro. "E também conversa para boi dormir. Esses documentos não foram textualmente incinerados. Eles foram apropriados por alguns dos envolvidos."