''Repensemos a posição sobre divorciados e gays'', defende cardeal alemão

Mais Lidos

  • Governo Trump retira US$ 11 mi de doações de instituições de caridade católicas após ataque a Leão XIV. Artigo de Christopher Hale

    LER MAIS
  • Procurador da República do MPF em Manaus explica irregularidades e disputas envolvidas no projeto da empresa canadense de fertilizantes, Brazil Potash, em terras indígenas na Amazônia

    Projeto Autazes: “Os Mura não aprovaram nada”. Entrevista especial com Fernando Merloto Soave

    LER MAIS
  • Para o sociólogo, o cenário eleitoral é moldado por um eleitorado exausto, onde o medo e o afeto superam os projetos de nação, enquanto a religiosidade redesenha o mapa do poder

    Brasil, um país suspenso entre a memória do caos e a paralisia das escolhas cansadas. Entrevista especial com Paulo Baía

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

12 Julho 2012

Com os seus 55 anos, ele é o mais jovem do Colégio Cardinalício e, depois das últimas declarações, também é um dos mais abertos. Em entrevista à revista alemã Die Zeit, Dom Rainer Maria Woelki, arcebispo de Berlim, exortou a Igreja a repensar a doutrina sobre os divorciados em segunda união e os homossexuais.

A nota é de Giovanni Panettiere, publicada no blog Pacem in Terris, 09-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Falando daqueles que contraem um segundo casamento – para os católicos, essas pessoas não podem ter acesso à Eucaristia, a menos que vivam com o novo cônjuge como irmão e irmã –, o cardeal recordou que o papa deu a Comunhão ao governador da Saxônia, divorciado e que convive com uma outra mulher.

"Como padre – disse o arcebispo – devo supor que quem me pede a Eucaristia o faz com o coração puro. Mas não devemos perder de vista aqueles que, reconhecendo a ruptura do seu casamento, se esforçam por conduzir uma vida segundo os ensinamentos da Igreja e não recebem a Comunhão. Desse modo, dão um forte testemunho de fé".

Woelki também balanceou com relação à homossexualidade. Lembrando que o Catecismo da Igreja Católica estabelece a necessidade de evitar toda marca de discriminação injusta contra gays e lésbicas, o purpurado acrescentou: "Se eu levo a sério o Catecismo, não posso ver as relações homossexuais exclusivamente como negação da lei natural. Eu também busco entender que há pessoas que assumem uma duradoura responsabilidade recíproca, prometem-se fidelidade e querem cuidar uma da outra". Assim, o apelo final: "Devemos encontrar uma forma de permitir que as pessoas vivam sem ir contra os ensinamentos da Igreja".

Sucedendo em julho de 2010 ao falecido cardeal Georg Sterzinski, Woelki logo se afastou das simpatias da comunidade LGBT berlinense, definindo a homossexualidade como "uma violação da ordem da criação". Muitos pensaram que o diálogo entre o mundo gay e a Igreja alemã havia chegado a um beco sem saída. Ao contrário, poucos dias depois da sua primeira exposição sobre o assunto, o arcebispo convocou uma conferência de imprensa muito concorrida, durante a qual voltou atrás, dizendo-se pronto também para debater com os ativistas homossexuais.

E o diálogo aconteceu. No Katholikentag (16 a 20 de maio de 2012), a grande manifestação dos católicos alemães, com mais de 80 mil presenças, Woelki, desde fevereiro elevado à dignidade cardinalícia, disse: "Quando duas pessoas homossexuais assumem a responsabilidade recíproca, se tiverem uma relação fiel e de longo prazo, é preciso considerar essa relação do mesmo modo que um vínculo heterossexual". Muitos dos presentes não acreditaram em seus próprios ouvidos. Há alguns dias, o arcebispo voltou sobre a questão na entrevista à Die Zeit.

Basicamente, essa é a primeira vez que um cardeal eleitor no próximo conclave se expressa em termos tão claros sobre um assunto tão delicado como a homossexualidade. Mudanças de percurso já haviam sido invocadas pelo cardeal Carlo Maria Martini – que tem mais de 80 anos e, portanto, não envolvido no pós-Ratzinger –, pelo arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, pelo bispo de Ragusa, Paolo Urso, mas nunca pelas primeiras fileiras do Colégio Cardinalício.

Outra coisa é o discurso sobre os divorciados em segunda união. A questão é muito sentida por Bento XVI, e há muito tempo surgem rumores sobre o estudo de uma solução para o problema.