A Rio+20 e o elogio da reciclagem

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23 Junho 2012

Prevaleceu a diplomacia da reciclagem na Rio+20. Foi isso o que os chefes de Estado e de governo fizeram com o conceito do desenvolvimento sustentável, tema principal da conferência das Nações Unidas: um jovem de quase 30 anos, mas que ainda ronda políticas e planos de negócios de empresas como se fosse um embrião incerto de vingar.

O comentário é de Marta Salomon, jornalista, e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, 23-06-2012.

Ao longo dos nove dias da conferência, os países renovaram compromissos anteriores que não haviam saído do papel, como a redução da pobreza em países em desenvolvimento e a diminuição das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

Nada de novo foi criado. Combinou-se no Riocentro que uma nova agenda mundial do desenvolvimento sustentável deverá ser apresentada até 2015. Até lá, novas rodadas de negociação devem apontar as metas, as formas de medir seu sucesso ou insucesso e os caminhos para torná-las realidade. Por ora, não é possível saber se haverá metas sobre a redução da pobreza, o acesso a água, a produção de energia limpa ou as emissões de carbono. Faltou consenso para isso. Já se falava ontem em Rio+20+20 para essa nova fase da agenda.

O mundo ficará mais sustentável depois da cúpula no Rio? Por algum acordo mundial que seja possível verificar no curto prazo, não. Nada antes de 2015, quando o mundo também deverá encontrar um jeito novo de lidar com o aumento das emissões de carbono, segundo o cronograma das complicadíssimas negociações do clima.

Pela mobilização de empresários e da sociedade civil, é possível que sim, o mundo se torne menos insustentável depois da Rio+20. A falta de ambição que as ONGs enxergaram no documento final da conferência poderá ser, pelo menos em parte, compensada pelo reforço das pressões sobre políticas públicas, a atuação de empresas e o comportamento dos consumidores. Nada impede avanços locais.

O engajamento exibido por líderes empresariais pode resultar em mudanças nos padrões de produção, independentemente da agenda das Nações Unidas - ainda que a adesão aos princípios do desenvolvimento sustentável venha acompanhada pela cobrança de incentivos fiscais, uma conta a ser paga pelo contribuinte. Reciclado, o tema do desenvolvimento sustentável mostrou, ao menos, que não está morto.