Grécia deve ter novas eleições e UE ameaça afastar país da zona do euro

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12 Mai 2012

Políticos gregos fracassam em formar um novo governo, o país caminha para uma nova eleição e a União Europeia declara pela primeira vez publicamente que a Grécia terá de abandonar o euro se não conseguir cumprir seus acordos com Bruxelas. O que era a terceira possibilidade de um acordo foi enterrada ontem, diante da recusa de partidos de esquerda de aceitar uma coalizão com forças políticas pró-austeridade, que defendem os acordos com Bruxelas.

A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 12-05-2012.

Em tom ameaçador, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, declarou que a Grécia deve sair do euro se não respeitar o plano feito com Bruxelas e com o FMI, que prevê uma política de austeridade em troca de um resgate bilionário. "Se os acordos não são respeitados, as condições não estão reunidas para continuar com um país que não respeita seus compromissos", disse Barroso à televisão italiana SkyTG24.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) também declarou que não vai liberar nova parcela da ajuda financeira enquanto não tiver segurança sobre o caminho que o país tomará.

Resta apenas uma tentativa de formar um governo, agora nas mãos do presidente Karolos Papulias. Mas ninguém mais acredita ser possível. O mercado sentiu quase imediatamente a nova crise e a bolsa de Atenas fechou no nível mais baixo em 20 anos.

As eleições de domingo não resultaram numa maioria clara para nenhum dos partidos, com as forças tradicionais e grupos que negociaram os acordos de resgate com Bruxelas severamente punidos. Diante de uma recessão que se prolonga por cinco anos e pela explosão do desemprego, pelo menos metade do eleitorado rejeitou a política de austeridade exigida pela União Europeia, em troca da ajuda de 130 bilhões. Desde então, três partidos tentaram, sem sucesso, formar uma coalizão para governar.

O último fracasso foi dos socialistas do Pasok. O grupo, que apoia a austeridade, havia conseguido uma aliança com os conservadores da Nova Democracia, de Antonis Samaras.

Recusa

Mas, ontem, a Coalizão de Esquerda, Syriza, se recusou a formar um governo. O líder do movimento, Alexis Tsipras, alegou que não poderia aderir ao programa do Pasok porque a maioria dos gregos não apoia a austeridade. "A recusa não é do Syriza, mas do povo grego", disse Tsipras, depois de uma reunião com o líder socialista, Evangelos Venizelos, encarregado de formar o governo. "Venizelos e Samaras fazem como se não tivessem escutado a mensagem das urnas", acusou.

O líder socialista desafiou a constatação de Tsipras de que o povo votou contra a austeridade. "As urnas nos mostraram que o povo quer um governo de união nacional e quer ficar na zona do euro. Venizelos usou um tom dramático ao anunciar seu fracasso. "Chegou a hora da verdade para todos", disse, indicando que entrega a incumbência de volta ao presidente Papulias.

Ontem mesmo, políticos acusavam o Syriza de "irresponsável" e de estar forçando a realização de novas eleições, principalmente depois das pesquisas de opinião que o apontam como vencedor, em junho. O partido do jovem Tsipras ficaria com 27%, contra 20% de Samaras.

A realidade é que os interesses partidários locais acabaram fechando as portas a um acordo e a Grécia esta à beira do abismo. Tanto político, diante da ausência de um governo, quando econômico, já que pode ser expulsa do euro. A situação tem deixado a população ainda mais enfurecida: 62% querem a criação de um governo de união nacional. Só 32% acreditam que uma nova eleição seja algo positivo.

Na prática, Papulias vai reunir os sete partidos eleitos para o Parlamento - inclusive os neonazistas - e sugerir a formação de um governo com representantes de todos. Caso essa opção também fracasse, que seria o mais provável, convocará eleições. Até lá, o país será governado pelo presidente da Corte Suprema. "Espero que durante a fase de negociações com o presidente, todos pensem de uma forma mais madura e mais responsável", disse Venizelos.

O que está em jogo não é apenas a estabilidade política do país. Caso a nova eleição seja vencida por partidos contrários às políticas de austeridade exigidas, a Alemanha já anunciou que não vai autorizar a liberação de fundos do resgate do país. Sem esse dinheiro, a Grécia vai quebrar e não terá outra opção senão a de sair da zona do euro, voltar a adotar o dracma e emitir a própria moeda.