Párocos criticam carta de bispo: ''É desumana e sem misericórdia''

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14 Março 2012

"Não vamos ler essa carta pastoral nas nossas Igrejas. Queremos tomar distância dessa carta do bispo, tanto no conteúdo, quanto na forma". Essa é a afirmação do reitor e pároco de Winterthur, Hugo Gehring, tomando posição em nome de inúmeros agentes de pastoral da região de Winterthur e Unterland, em Zurique.

A reportagem é de Michael Meier, publicada no sítio da Igreja Católica do Cantão de Zurique, na Suíça, 10-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele escreve que esperar que todos os membros da Igreja Católica que vivem uma separação matrimonial permaneçam solteiros seria "desumano, segundo a nossa experiência, e não é possível deduzir a partir da mensagem cristã".

De acordo com as diretrizes de Dom Vitus Huonder (foto), bispo de Chur, a carta pastoral devia ser lida no Domingo da Quaresma do dia 12 de março, em todos os púlpitos da diocese. Até agora, nenhuma carta pastoral havia provocado tanta confusão e gerado uma rejeição tão extensa ainda na fase inicial.

Dom Huonder se refere às indicações canônicas e pede que os divorciados novamente casados sejam excluídos dos sacramentos. Ele diz que, segundo as palavras de Jesus, o casamento é indissolúvel e que, por esse motivo, os divorciados, com a sua "decisão de iniciar uma nova relação de casal, se colocariam em uma situação que torna impossível receber os sacramentos". Somente separados e divorciados que continuam solteiros, segundo Huonder, dariam "um precioso testemunho da indissolubilidade do matrimônio".

Discussão

Segundo Christian Breitschmid, responsável pela informação do vicariato geral de Zurique, Dom Huonder retomou um tema ardente e provocou mais rejeição do que aprovação. "Durante toda a semana, a discussão foi forte. Os meios de comunicação de toda a região falaram sobre a carta pastoral".

Por parte dos párocos, Breitschmid teria ouvido principalmente comentários muito críticos. Em sua opinião, a maioria dos padres não irá ler a carta pastoral no domingo e vai manter a prática de admitir também aqueles que se casaram novamente aos sacramentos.

Até o vigário-geral de Zurique, Josef Annen – representante, portanto, de Dom Huonder –, adere totalmente, segundo Breitschmid, à declaração emitida na última quarta-feira pelo Conselho Pastoral de Zurique, em que se diz: "Agradecemos a todos os agentes de pastoral que ajudam também as pessoas separadas e em segunda união a continuar o seu caminho com Deus na comunhão eucarística da Igreja".

Assim, o Conselho insta expressamente os agentes de pastoral a admitir pessoas em segunda união à comunhão e aos sacramentos. O Conselho também defende a opinião de que a carta pastoral não leva em conta a "lei da misericórdia" anunciada pelo Evangelho.

"Não somos todos pecadores?"

Os agentes de pastoral do cantão de Nidwald decidiram por unanimidade, na reunião do decanato da última quarta-feira, "que essa carta não pode ser lida durante a missa. Em vez de anunciar uma boa notícia – como seria a nossa tarefa – provocaremos contrariedade, agitação e protesto, e isso justamente em pessoas que, com maior razão, precisam de uma palavra de encorajamento".

Os agentes de pastoral de Nidwald continuarão ministrando os sacramentos (comunhão, reconciliação, unção dos enfermos) aos divorciados novamente casados. "Para nós, é importante estar aberto a todos e não ser hostis".

Ao contrário, no decanato de Innerschwyz, as opiniões entre os párocos são diversas, como diz o decano local, pároco Konrad Burri: "Há párocos que irão ler a carta do bispo". Ele, pessoalmente, decidiu não lê-la. "Mandar embora alguém que eu sei que se casou novamente é absolutamente impensável para mim. Eles podem ser pessoas com uma atitude autêntica de fé cristã", diz Burri.

Em sua opinião, todos devem resolver o problema de receber ou não a comunhão em consciência. "Não somos nós, padres, que podemos julgar isso", diz Burri, e pergunta: "Nessas diretrizes, onde está a misericórdia para com o pecador? Não somos, talvez, todos pecadores?".

O pároco Marcus Flury, da região de Vella, vai mencionar durante a missa de domingo a carta pastoral. Ele considera que também poderá obter algo de positivo – algo sobre o qual atrair a atenção na preparação ao matrimônio. Flury traduziu a carta de Dom Huonder ao romanche e está pronto a falar a respeito com quem quiser. Mas ele também não irá lê-la na igreja. "No vilarejo, todos se conhecem. Se eu ler a carta, vou expor pessoas comprometidas que participam da missa".

Ele considera que a decisão de receber a comunhão deve ser tomada por cada um pessoalmente. "Eu não sei, por exemplo, se aqueles que se passam por muito devotos são verdadeiramente dignos de receber a comunhão".

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