O clero dividido

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Por: André | 23 Fevereiro 2012

A oposição, no mundo católico de língua germânica, entre as correntes liberais e as correntes conservadoras provocou uma “fissura” dentro do clero. A informação é da revista alemã Der Spiegel em seu último número. O que levou ao aumento das diferenças foi uma em especial que surgiu com o comunicado divulgado no fim de semana passado pela ‘Rede de Sacerdotes Católicos’, um grupo conservador que agrupa cerca de 500 párocos. Na nota, assinada pelos religiosos Guido Rodheudt, Hendrick Jolie e Uwe Winkel (e apoiada por sacerdotes alemães, austríacos e suíços), ataca-se duramente o “Apelo à desobediência”, publicado no verão pelos sacerdotes que pertencem à corrente liberal que tem suas raízes na Áustria e que pede a revisão das posturas da Igreja em relação aos homossexuais, ao celibato e ao acesso das mulheres ao sacerdócio. “A ‘Iniciativa dos sacerdotes’ é um triste sintoma a mais do cisma que de fato se verificou, sob o olhar dos bispos, desde há tempo na região de língua alemã”, se lê no comunicado da ‘Rede’. Este cisma “não divide os leigos dos eclesiásticos, nem os países de língua alemã da Cúria romana”, mas os que aceitam a doutrina e as ordens da Igreja daqueles que estão a caminho da “criação de uma Igreja própria”.

A reportagem é de Alessandro Alviani e está publicada no sítio Vatican Insider, 21-02-2012. A tradução é do Cepat.

No documento critica-se com dureza inclusive a reação dos bispos ao “Apelo à desobediência”. A impressão que se tem é que os bispos “têm medo de falar abertamente e que preferem ficar vendo como se deteriora a autoridade do Papa como pastor de toda a Igreja”. Nos países de fala germânica, “os que advertem sobre as formas de desobediência litúrgica e doutrinal são definidos como ‘desleais’, ao passo que aqueles que lançam apelos à desobediência são cortejados” e recebem as maiores atenções; isto permite chegar a certas conclusões “sobre a conduta mental dos que são os responsáveis pelas dioceses na região de língua germânica”.

O documento termina com uma mensagem aos bispos, para que intervenham “com decisão contra os duvidosos ‘esforços de reforma’ da ‘Iniciativa dos sacerdotes’”: quem se limita a ver “peca contra a unidade da Igreja. É urgente”.

Em junho do ano passado, a ‘Iniciativa dos sacerdotes’, que tem cerca de 400 membros, divulgou um manifesto no qual pede, entre outras coisas, a abertura do sacerdócio às mulheres e a pessoas casadas; anuncia que pretende distribuir a eucaristia aos divorciados e com segunda união, aos membros de outras igrejas cristãs e, em alguns casos, inclusive aos que abandonaram a Igreja. Também expressa sua solidariedade para com os sacerdotes que não podem exercitar suas funções porque escolherem o casamento.

O manifesto, encabeçado pelo sacerdote Helmut Schüller, continua popular na Áustria: segundo uma pesquisa divulgada pelo jornal Die Presse, em 20 de fevereiro, cada dois de três austríacos (68%) estão convencidos de que as mulheres têm que chegar ao sacerdócio e 60% pensam que a obediência não é uma das obrigações dos católicos.

Conta também com grande aprovação outra mensagem divulgada pela ‘Iniciativa’ em janeiro, uma lista de cinco “Não”, que termina desta maneira: “Dizemos NÃO a um direito canônico que pronuncia sentenças muito duras e ímpias em relação aos divorciados que ousam casar-se novamente, para com aqueles que amam pessoas do mesmo sexo e vivem com elas uma relação de casal, para com os sacerdotes que fracassam no celibato e começam uma relação e para com os muitos que obedecem mais à sua consciência do que a uma lei feita pelos homens”. Segundo a pesquisa do Die Presse, este apelo goza da aprovação de 67% dos austríacos.