Dilma garantiu a Tombini que faria ajuste fiscal

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05 Setembro 2011

A visão do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, sobre o regime de metas de inflação ajuda a compreender o corte de juros da semana passada. Para o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, inflação na meta significava entregar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo em 4,5%. Para Tombini, um dos criadores do modelo de metas no Brasil, o intervalo entre 2,5% e 6,5% serve para acomodar choques passageiros, e o recrudescimento da crise financeira mundial encaixa nesse quesito.

A reportagem é de Lu Aiko Otta e Iuri Danta e publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo, 04-09-2011.

Para completar o quadro, Tombini dispõe de algo inexistente nos oito anos de mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, o BC e o Ministério da Fazenda tocam a mesma música, sob regência de Dilma Rousseff. Ao cortar os juros pela primeira vez desde 2009, o BC mostrou que se fia na palavra de Dilma. O Planalto assegurou ao BC que a área fiscal iria ajudar no combate à inflação. Cabia ao time de Tombini estimular a economia.

Esse quadro foi traçado em reuniões entre o Tombini e Dilma, segundo fontes ouvidas pelo "Estado". Para o Planalto, bastava ao mercado ler os sinais enviados pelo governo para entender que uma queda dos juros era não apenas inevitável, mas próxima.

Ao anunciar, na véspera da decisão do Copom, que o governo iria economizar R$ 10 bilhões de arrecadação extra, o governo tentava capitalizar politicamente uma decisão tomada nos bastidores e sinalizar que a austeridade era pra valer.